MB Review: A Loucura em forma de Mangá: Bobobo-bo Bo-bobo

E se eu dissesse que existe uma obra na qual o protagonista é um homem, com um afro amarelo, que consegue controlar livremente todos os pelos do corpo (principalmente os pelos do nariz), e ao lado de seus amigos: uma menina de cabelo rosa, uma laranja com espinhos (?), uma gelatina, um menino que parece punk, um homem com cabeça de sorvete (talvez seja um cocô), e um picles falante (que infelizmente foi comido por um cachorro no primeiro capítulo) enfrenta o Império dos Carecas, um império que arranca o cabelo de todos os humanos à força, para que todos sejam carecas? Você provavelmente diria que eu sonhei com isso, e estou falando que é um mangá, certo? Pois é, mas esse mangá existe, e inclusive fez muito sucesso no Japão, nos anos 2000. Estou falando de Bobobo-bo Bo-bobo (é, o nome é esse mesmo).

Apesar de ser fã de animes e mangás há um bom tempo, só fui conhecer Bobobo(a partir de agora vou escrever assim, fica mais fácil) em 2016, quando comprei o jogo J-Stars Victory VS+ (PS3, PS4, PSVita). Vendo no jogo vários personagens conhecidos, outros nem tanto, e uns poucos totalmente desconhecidos, me deparo com um cara  maluco, cujos ataques me chamaram muita atenção por serem extremamente absurdos. Vi o nome do personagem, e o nome da obra a qual ele pertencia, fiquei curioso e fui pesquisar sobre o quê aquilo se tratava. Logo após ler a sinopse, senti uma curiosidade e um entusiasmo enorme. Eu simplesmente precisava ler ou assistir aquilo. Foi a partir daí, que mergulhei no universo maluco da obra, que para mim é o ápice do humor non-sense. Nem mesmo Gintama, que é uma das minhas obras preferidas, consegue se equiparar à Bobobo quando o assunto é piração. Digo, Gintama tem seus momentos engraçados, e são muitos. Inclusive, é um dos poucos animes que já me fizeram gargalhar alto, e em público, apenas por me lembrar de uma cena. Mas por trás de toda essa comédia, existe um enredo com certa seriedade ocorrendo em paralelo, algo que em Bobobo, não existe. Arrisco dizer que as obras que chegaram mais perto da piração de Bobobo foram os mangás do Usuta Kyosuke, Pyuu-to- Fuku! Jaguar!!! e Sexy Commando Gainden – Sugoy-wo Masaru-san. Antes de continuar, aqui está a sinopse da obra.

No ano de 300X, a sombra do maligno Império Maruhage pairava sobre o mundo. Comandados por Tsuru Tsururiina IV, seus soldados raspam o cabelo de todos sem piedade e as pessoas vivem com medo.Mas eis que surge um herói para salvar as pessoas e seus cabelos, Bo-bobo. Quando criança, ele aprendeu a ouvir a voz do cabelo e aprendeu a controlar todos os pelos de seu corpo.Utilizando o estilo Hanage Shinken (Punho Divino dos Pelos do Nariz) ele parte em sua aventura contra o Império Maruhage.Não há muito o que dizer sobre a sinopse, por motivos óbvios. Mas uma coisa que fica evidente, é que além de ter essa trama maluca, Bobobo também é uma paródia de vários mangás famosos, começando pelo próprio estilo marcial usado pelo protagonista. O Hanage Shinken, é uma óbvia referência ao Hokuto Shinken, do mangá Hokuto no Ken. Logo mais, irei exemplificar outras paródias e até mesmo um crossover que Bobobo teve com um mangá muito, mas muito famoso. Mas antes, vamos às informações.

Bobobo-Bo Bo-bobo foi escrito e desenhado por Yoshio Sawai, e publicado na revista Weekly Shonen Jump, da editora Shueisha, entre 2001 e 2005, rendendo 230 capítulos e 21 volumes encadernados. No mesmo ano em que Bobobo terminou de ser publicado, o autor não perdeu tempo e logo iniciou a serialização de uma sequência, intitulada “Shinsetsu Bobobo-bo Bo-bobo”, a qual durou até 2007, sendo finalizada com 74 capítulos, o que corresponde à 7 volumes encadernados.

Capa do 1º volume da série original

Em 2003, a Toei Animation produziu um anime baseado na série, que durou até 2005, tendo 76 episódios. O que adaptou até o capítulo 178, correspondente ao volume 17. Aparentemente, a série de TV até vinha fazendo um relativo sucesso no Japão, mas foi cancelada devido à reclamações da Associação de Pais e Professores (PTA – Parents and Teachers Association), onde alegavam que a série era violenta demais e muito incorreta para o público alvo, que no caso, era o infantil. Detalhe que o anime ainda deu um “suavizada” em algumas partes do mangá, como por exemplo, a cena da cueca-pato, que…ahn…deixa pra lá.

No ocidente, temos a informação que o anime foi exibido na Espanha, França, Itália e EUA. Nos EUA a série foi ao ar no Toonami, um bloco do Cartoon Network, e fez até certo sucesso.

Como mencionei no início do texto, Bobobo se seus amigos lutam contra o império dos carecas. Mas toda essa trama, aparentemente é apenas pano de fundo para que o autor faça o que ele bem entende com a história. Vejam, além do incrível poder de controlar os pelos do corpo, Bobobo consegue partir seu afro no meio e tirar várias coisas dali de dentro, como se fosse um portal para outra dimensão. Logo no início do mangá/anime, ali vivem um casal de esquilos, e Bobobo acabar por expôr os coitados justamente quando eles estão tendo uma discussão de casal. E isso se estende por toda a obra, o protagonista assume as mais diversas formas, age de maneiras imprevisíveis, bem como as situações em que os personagens se metem. A cada luta, queremos ver que tipo de técnicas e/ou trapaças os nossos “heróis” vão usar. Da mesma forma, queremos também ver como o vilão vai se sair nessa bagunça toda. Existe uma parte em especial, que Bobobo consegue tirar, ninguém mais, ninguém menos que Yu-Gi-Oh de dentro do seu cabelo. É impressionante!

Um dos personagens mais importantes para a trama, além do próprio protagonista, é o fiel escudeiro de Bobobo, Don Patch. Don Patch, que é a “laranja com espinhos” que eu havia mencionado, não é apenas um companheiro, como também é utilizado por Bobobo para realizar certos ataques. Além de Don Pach, no grupo de protagonistas temos a Beauty, Tennosuke, Heppokomaru, Dengakuman e Softon.

Imagem com todos os personagens citados, e mais alguns.



Como eu havia citado anteriormente, além da sequência, o mangá fez crossover com um mangá muito famoso, e esse mangá, nada mais é que Dragon Ball. Intitulado “Bobobo-bo Bo-bobo x Dragon Ball”, é uma pequena coletânea de capítulos extras que recontam (e alteram) icônicos momentos da série. Recentemente, o autor, Yoshio Sawai, disse em entrevista que Dragon Ball ainda é o mangá “número 1” para ele.

Só pela imagem, dá pra imaginar o que nos espera nesse crossover (ou não).

Infelizmente, toda essa maluquice tem um preço. Por causa das características que sustentam a obra, tanto o mangá, como o anime, acabam por se tornar um produto de nicho, pelo menos, no que se diz respeito ao mercado fora do Japão, já que evidentemente, esse tipo de humor é muito apreciado pelos japoneses. Mas fora de lá, nem tanto…Tanto é que quando fiz alguns amigos japoneses, saí do óbvio de DB, Naruto, etc, e perguntei para eles se conheciam Bobobo. Todos disseram que sim, com um sorriso no rosto, inclusive. Mesmo aqueles que não eram tão aficionados por mangás, conheciam e sabiam mais ou menos sobre o que se tratava.
Apesar do “sucesso” do anime nos EUA, a VIZ Media licenciou o mangá para ser publicado no mercado norte-americano, mas a publicação não durou mais que 5 volumes e foi cancelada. O motivo? Baixas vendas. Tudo isso, torna o mangá um sonho impossível para nós, brasileiros. Infelizmente a chance que temos de ver a obra publicada por aqui é menor que 0. Se o próprio Gintama, que é bem mais conhecido (e pedido), por aqui, não foi publicado, muito provavelmente por conta do grande número de volumes, da dificuldade de adaptação para o português e pelo tipo de humor, imaginem Bobobo, que é bem mais desconhecido e bem mais absurdo. Atualmente, para fãs do gênero, posso recomendar dois títulos bem engraçados e divertidos, que são Dr. Slump e Arakawa Under the Bridge.

Porém, se após ler esse texto, você se sentir interessado(a) em assistir ou ler a obra, na verdade, esse é o meu objetivo aqui, saiba que o mangá está quase completo em inglês, por meio de scans. O anime, por sua vez, pode ser encontrado em inglês, tanto dublado, quando legendado. E no momento existe um fansub brasileiro que está fazendo um ótimo trabalho, traduzindo a série. E já estão até bem avançados, estão no episódio 40. O Fansub BR é o STNL.
Existem alguns capítulos do mangá traduzidos em português, mas são muito poucos. Alguns capítulos do crossover com DB, também podem ser encontrados no nosso idioma.

…..

Então, vou ficando por aqui. Espero que tenham gostado do texto e da indicação. Acho que poucas pessoas irão ler esse texto, por se tratar de uma coisa que muitos nunca viram na vida, mas se você chegou até aqui, meu “muito obrigado”. Me sentia na obrigação de espalhar a palavra de Bobobo. A vocês, deixo um extra, que é uma incrível arte do Takeshi Obata, desenhista de Death Note, homenageando Bobobo-bo Bo-bobo.

Obrigado e até a próxima!

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