MB Review: Lady Snowblood – Uma História de Vingança

Escrito por Kazuo Koike e ilustrado por Kazuo Kamimura, Lady Snowblood foi serializada na revista Weekly Playboy, da Shueisha, entre 29 de fevereiro de 1972 e 6 de março de 1973. Já no começo da obra podemos observar o motivo da mesma ter sido publicada na revista Playboy. O mangá possui muita nudez e até mesmo uma cena de sexo oral em seu primeiro volume. Inclusive, fica a minha dica aqui, caso você tenha se interessado pela sinopse do mangá, mas não tenha nenhum interesse em ver cenas que contém sexo, então eu recomendo a adaptação live action do mangá, estrelado pela atriz/cantora Meiko Kaji, pois é zero nudez e consegue ser tão bom quanto a obra original.

A obra

Diferente do trabalho do senhor Koike em Lobo Solitário, aqui temos uma história que gira em torno de uma criança que nasceu com um propósito singular: vingar a morte de sua família que foi assassinada por uma gangue de bandidos. Esse primeiro volume é divido por episódios separados e, embora cada episódio geralmente seja um arco independente, é também uma continuação da história maior, o que pode não agradar a todos os leitores, porém, isso não me incomodou nenhum pouco.

Sobre a personagem principal, Yuki. Uma assassina fria e extremamente habilidosa que foi treinada desde muito cedo. Para se sustentar, ela trabalha pelo preço de 1.000 ienes, e os seus métodos de assassinatos vão desde disfarces até o uso do seu próprio corpo para atrair homens para armadilhas e assim ceifar suas vidas.

Além do roteiro habilidoso e afiado do senhor Kazuo Koike, temos a arte elegante do mestre Kazuo Kamimura, que casa perfeitamente com as ideias do Koike. Inclusive, no quinto capítulo do mangá, há uma quebra da quarta parede onde artista do mangá conversa com o próprio leitor através de uma explicação histórica, algo simplesmente genial!

Falando em explicação histórica, o roteiro possui muitas passagens com contextos históricos do Japão da Era Meiji, assim como acontece na adaptação live action de 1973. Todavia, no mangá a explicação é bem mais abrangente e detalhada, os fãs e os estudantes da história japonesa certamente vão se deleitar com tamanho detalhismo na retratação dos acontecimentos históricos do Japão desse período.

A edição física

E por último, mas não menos importante, a qualidade da edição da editora Panini. Particularmente, achei bem satisfatório, já que o mangá possui miolo em off-set, capa cartão e o verniz localizado que está presente apenas na fonte do nome da obra e no sangue, o que dá um charme a mais pra edição.

Lady Snowblood é um conto muito técnico, que possui reviravoltas espetaculares na trama, tendo quadros extremamente violentos e bastante sexo no desenrolar da história. Uma obra que só podia mesmo ter saído da mente do genial Kazuo Koike e, de quebra, conta com a arte exuberante do Kazuo Kamimura, um dos artistas do século 20 que melhor sabia desenhar belas damas. Lady Snowblood é uma obra altamente recomendável, não só para os leitores de mangás mais adultos como também para os leitores de quadrinhos e livros.

Curiosidade

O título original do mangá, Shurayuki-hime, é um trocadilho com o nome da Branca de Neve em japonês (Shirayuki-hime, “Princesa Branca de Neve”). A palavra Shura passa a significar Asura, seres semidivinos consumidos no ato de violência e conflito sem solução, e a alusão àqueles que vivem sempre envolvidos em tal destino. O título foi traduzido como Lady Snowblood porque Asura está associado ao termo shuraba “cena de uma grande batalha” ou “cena de carnificina”.

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