MB Review: Meu chefe é meu amigo de infância?!

Quando eu estava fazendo a resenha de “Porque o Amor Existe!” me perguntei se eu, enquanto leitor, estava sendo injusto. Por não ser um tipo de história que eu leio comumente me peguei pensando em meio ao texto se não estava analisando partes que não deveria prestar tanta atenção ou algo assim. E então li “Meu Chefe é o Meu Amigo de Infância?!”, o segundo da ordem da lista de picância feito pela própria editora e pude perceber que tudo o que eu falei anteriormente ainda se sustenta. Esse é um exemplo de tudo o que não gostei no mangá anterior (que você pode ler a resenha feita aqui) sendo feito da forma certa.

 

Sinopse Oficial

Como desejava, Toono é transferido para uma empresa de arquitetura e é apresentado à pessoa responsável por instruí-lo, Mizusawa, seu amigo de infância. Mizusawa trabalha como diretor-assistente e continua lindo como sempre foi e ainda mais promissor. Toono reencontrou seu amigo de infância, que se torna seu chefe, e não consegue se familiarizar com a situação. Ao conhecer como Mizusawa é hoje, ele começa a encarar seus sentimentos.

Sobre a História

A história começa com Toono sendo apresentado a seus novos colegas de trabalho e a seu novo diretor. Ao reconhecê-lo, o chama pelo seu apelido de infância, sem prestar atenção na hierarquia social – um fator que é ainda mais importante no Japão do que aqui. Mizusawa logo o reconhece, mas como fazem mais de dez anos que não se viam, não mostra o entusiasmo recíproco, o que é perfeitamente normal parando para se pensar.

Com o passar do volume, Toono se mostra um funcionário muito competente, atendendo a alta demanda que seu chefe lhe impõe. Mas busca formas de se reaproximar do antigo amigo, pois eram bem próximos quando crianças e o distanciamento atual, causado pelo tempo, está estranho.

O mangá, mesmo em suas menos de 200 páginas, consegue criar dois personagens muito carismáticos e com personalidades bem marcantes, sendo contrastantes o bastante para que criem uma dinâmica interessante, mas com similaridades fortes para que compremos o relacionamento dos dois.

Aliás, o relacionamento e a naturalidade com a qual ele se desenvolve é o ponto altíssimo dessa história. A forma com a qual o enredo vai se desenvolvendo e vemos a relação de chefe-subordinado retornando até o ponto de dois amigos e passando para o próximo estágio, mais romântico, é super fofo e gostoso de se acompanhar. 

As poucas exposições que ocorrem nesse meio tempo são para evidenciar as chamadas elipses, que são formas de abreviar o tempo, como quando comentam que “Toono já está trabalhando aqui há duas semanas” apenas para evidenciar a nós, espectadores da história que se desenrola, que essa passagem ocorre, ou em pequenos flashbacks mostrando o passado deles e sua relação enquanto criança, o que amarra algumas questões que vimos neles como adultos. O resto da história inteira é feita com base em uma naturalidade incrível. Toda e qualquer decisão, seja do impulsivo Toono ou do metódico (até demais) Mizusawa, se mostra crível com as personalidades estabelecidas na história. Sempre dá aquela impressão de “Tá, ele realmente faria uma coisa dessas” a cada tomada de decisão.

Inclusive, para mim, uma das melhores cenas de todo o mangá foi a forma que Mizusawa disse que não era hetero. É feito com uma simplicidade e de forma tão objetiva que não tem como não simpatizar-se pelo personagem e achar um momento fofo.

Tammy Hakoishi acertou em cheio na construção destes personagens e no relacionamento deles e não acredito que o que eu diga aqui possa fazer jus ao que foi feito para o que se propõe, em tão poucas páginas.

A arte também é um belo ponto. Mesmo representando personagens cotidianos e comuns, consegue transparecer uma personalidade única, não caindo no abismo do genérico. Inclusive, admito que a colorização usada também é fantástica! Mesmo não gostando muito desta capa (principalmente pelo retângulo branco que envolve o título e o nome de Tammy), o estilo de colorização me chamou muito a atenção, fluindo bem entre diversos tons e fugindo da verossimilhança. Não importa se Toonu tem o cabelo loiro e Mizukawa tem o cabelo preto. Aqui, vão ficar ambos com o cabelo arco-íris. E ficou LINDO!

E a Pica…ncia? Como está?

Pra ser sincero, fiquei com medo da questão picante. Não lembrava que ele era o segundo mais picante dos 7 publicados, mas sabia que ele estava do meio pra frente na escala. E por que estava eu com esse receio, você me pergunta? Porque a história até mais da metade estava muito fofa e leve, então pensei que seria incluído uma cena de sexo sem motivo. Mas, felizmente, estava enganado e as cenas eróticas vem de forma tão natural quanto todo o relacionamento, afinal, é normal após algum tempo de namoro querer ter relações.

E esse também foi feito com todo um cuidado. Não apenas para ficar excitante, mas também para demonstrar todo o carinho e a personalidade de ambos os amantes. As cenas, embora explícitas, são relativamente curtas, o que fez com que eu pensasse que este mangá não estivesse tão altamente posicionado na escala.

Infelizmente, para não ficar apenas elogiando, um termo considerado misógino foi dito em uma das cenas, onde Mizusawa diz que Toono está “fedendo a mulher”. Não estou em posição de dizer se isso de fato é ou não um termo misógino, afinal, sou homem, então fica aqui a constatação da passagem.

Edição Nacional

A edição da NewPop conta com uma sobrecapa, seguindo o padrão 12,8×18,2 cm, com um papel offset 90g ao preço de R$29,90. Ao tirar a sobrecapa, temos na frente um quadrinho comentando sobre Mizusawa e no verso um posfácio de Tammy agradecendo aos leitores, assim como a editora e àqueles que tornaram a publicação possível. Recebemos alguns comentários de que haviam erros de revisão na edição, mas eu não vi nenhum. Como geralmente acabam me passando despercebidos alguns erros mais leves, deixo apenas registrado, pois não posso nem pretendo contrariar tais comentários, e nem passar informações pela metade.

Conclusão

Meu Chefe é Meu Amigo de Infância tem um desenvolvimento incrível, super fofinho e natural de duas pessoas que se reencontram depois de muito tempo e, uma delas, enquanto busca reaproximá-las, percebe que está apaixonado. 

O desenvolvimento dos personagens, tanto individualmente quanto como casal, chama muita atenção neste volume, ainda mais por ser feito de uma forma convincente em tão poucas páginas. Para os fãs da parte mais erótica, a cena de sexo é boa, não deixa a desejar, embora curta, e vem de uma forma natural. Facilmente recomendado a todos aqueles que querem ler uma história e ficar com o coração igual ao da Sakura vendo o Yukito. “Aiaiaiaiai Mizukaaaaaaawa”

Agradecimentos a loja Anime Hunter por nos ter cedido o mangá para review. Caso queiram adquirir o mangá na Shopee

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