MB Especial: Eyeshield 21 – Ya-ha

“Nós vamos matar todos eles!!!”

O Mangá 

Eyeshield 21 é um mangá de um esporte, mais precisamente sobre futebol americano. Foi serializado durante sete anos na Jump Semanal de 2002 até 2009. Contando com 333 capítulos e, posteriormente, 37 volumes encadernados, a obra também ganhou um anime com 145 episódios, que foi de 2005 a 2008. 

A recepção e a durabilidade do mangá sempre foi muito consistente, suas vendas ultrapassaram vinte milhões de cópias antes do final, o que pra época era um número muito bom. Parte do sucesso da obra eram os detalhes que Inagaki trazia para explicar as regras do futebol americano com belíssimas ilustrações de Murata. A dupla uniu os dois conceitos em personagens extremamente carismáticos e cenas emocionantes.

 

Assim como muitos mangakás o fazem, os freetalks (breve anotações com reflexões pelos autores) nas versões encadernadas expandem muito o universo de Eyeshield, detalhando as dezenas de personagens e dos times que cruzam o caminho do Deimon Devil Bats.

A Obra 

Eyeshield 21 começa com a trajetória de Sena Kobayakawa, um garoto que passou a vida fugindo ou fazendo favores para os valentões da escola. Com isso, ele adquiriu uma espécie de corrida única para sempre resolver as coisas o mais rápido possível. A obra inicia com ele entrando na escola Deimon, onde rapidamente é abordado por Hiruma Youchi e Kurita Ryokan, que estavam recrutando para o time de futebol americano de Deimon.

 

E assim começa a trajetória de Eyeshield 21, a lenda da corrida da Escola Americana de Notre Dame. Toda esta mítica criada por Hiruma faz parte de um plano maior do personagem, onde ele brinca com a mente dos adversários desde antes da partida começar.  

O destaque vai justamente para os personagens e suas características distantes um do outro. Hiruma é uma pessoa manipuladora, faz de tudo para vencer, enganar seus adversários e projetar suas loucuras. Sena é um personagem típico de mangá shonen, tem muito medo de se postar diante das pessoas e constantemente é protegido por seus amigos, enquanto Kurita fica em uma transição do gentil para alguém com uma fúria esmagadora por dentro.

A dinâmica entre esta tríade de personagens começa a expandir cada vez mais conforme a obra corre e as diversas partidas iniciam. 

O Futebol Americano em Eyeshield 

Quando li pela primeira vez a obra, eu não conhecia nada sobre o esporte. Só sabia o objetivo final do que fazer, mas as regras em si, nunca tinha explorado. Também era um ano longínquo, onde a NFL ainda não era tão popular por aqui. A obra explora muito bem como funcionam as regras, e muitas vezes pega o próprio leitor de surpresa. Hiruma e outros personagens nos transportam para uma partida real, lembrando sempre coisas simples e estratégias de como parar o tempo (que decreta o fim da partida) ou de como realizar alguma ação para não perder um down.

 

Essas nuances fazem a obra ganhar uma dinâmica incrível, e mesmo com as “técnicas especiais” dos personagens, tudo acaba muito bem explicado.

Os efeitos que Murata consegue aplicar nos desenhos são impressionantes, e dão uma sensação de movimento constante. As regras do esporte acabam vindo de todas as formas, seja por um narrador, seja por algum personagem que está acompanhando alguma partida, ou de dentro do campo, tudo isso é feito de maneira sutil, que vai aos poucos cativando o leitor, até os menos atentos. 

Considerações da Obra

Eyeshield 21 traz um equilíbrio muito bom durante toda a obra, tanto o roteiro quanto o desenho dificilmente deixam a desejar. Todos os personagens são explorados, seja pelo decorrer dos volumes, seja pelos freetalks, ninguém fica de fora. A proposta e o sonho dos personagens para o Christmas Ball são a força que move a obra. E também é um dos problemas que traz para seu final. O último arco, apesar de bem desenhado e ter pontos fortes, acaba deixando muito a dever para o restante. Isso ocorreu por uma clara decisão editorial da época, pois o mangá poderia ter sido encerrado antes.

Essa extensão fragiliza um pouco o final, mas como não são muitos capítulos, a obra consegue encerrar de uma maneira tranquila e sem um cancelamento prematuro (o que a Jump chega a fazer com diversas obras de 2008 até 2015).

A obra fica com um quesito muito positivo, e acabou nunca tendo uma chance de vir ao Brasil, tanto por ser um mangá de esporte encerrado há mais de dez anos quanto pela do futebol americano por aqui. Com o encerramento de Dr. Stone, uma possibilidade dele ser publicado voltou à pauta.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.