MB Review – What a Wonderful World: Um mundo maravilhosamente realista.

“And I think to myself: What a wonderful world…” 

 É com essa frase que começamos nosso Review de hoje, dissertando sobre uma das obras mais instigantes quanto a vida, realidade, sonhos e expectativas.

“What a Wonderful World” é um mangá escrito e ilustrado por Inio Asano, publicado originalmente no Japão entre 2002 e 2004, na revista Sunday GX, da editora Shogakukan. Uma coletânea de contos vagamente conectados sobre jovens adultos no Japão moderno e suas decisões de vida.

– O Enredo

A obra usa e abusa da interação de personagens e diálogos muitas vezes metafóricos, trazendo consigo uma abordagem intrigante sobre a questão de seguir sonhos, ou ceder a realidade, focando muito no cenário japonês pós crise, onde discussões sobre os padrões capitalistas e a ascensão econômica são bem recorrentes durante todos os contos que a narrativa propõe.

Trazendo um pouco de contextualização para o texto, é curioso citar que o mangá foi lançado em 2002, que também é o ano que marca mais ou menos o fim da “década perdida” no Japão  (época após o colapso da bolha financeira e imobiliária na economia japonesa), quando, em contra partida, a pressão social começa a emergir de forma gigantesca.

Então, durante todos os contos do mangá, a narrativa sempre aborda meios para a reflexão sobre o padrão social que os jovens se encontram e se é realmente o certo.

O país se encontra em um ascensão econômica, porém é fomentado, desde o nascimento, padrões que prezam  o radicalismo de “ser sucedido”, evitando caminhos “ousados” como seguir sonhos que muitas vezes podem parecer normais, como ser músico ou simplesmente não ser alguém do ramo empresarial, já que para a sociedade do sol nascente isso pode se visto como algo de “atitude fraca”.

O autor costuma trazer muitos dos conflitos do país em suas obras, como visto em “Boa noite punpun” e “Nijigahara Holographic” e não sendo diferente em seu percussor “What a Wonderful World” (sendo este um dos trabalhos inicias da carreira), onde o autor crítica de forma cirúrgica as consequências desse modelo esquematizado que o Japão propõe, demonstrando suas faces negativas e pondo o lado humano que muitas vezes é esquecido na correria do dia a dia nas terras nipônicas.

-A estética

Inio Asano tem um traço muito reconhecido no meio artístico dos mangás, fazendo o uso de modelos realistas e sempre focando na ambientação e background, e aqui o que a gente vê é sua base sendo firmada, já que é um dos seus primeiros trabalhos. Entretanto, seu estilo simplório de rostos já é perceptível, sendo um ótimo material de referência para os fãs.

-Vale a pena?

 A obra em si consegue abordar bem os problemas e pressões da juventude moderna e as dificuldades sociais, é um prato em cheio pra quem é fã e também pra quem não conhece e quer fugir um pouco do modelo de mangás apresentados no Brasil.

Uma obra que propõe a reflexão sobre o lado negativo de uma vida firmada em ser sucedido, e os riscos que esse tipo de pensamento pode trazer no âmbito social. Afinal, o mundo é maravilhoso demais para se focar numa existência sem prazer…O mangá no Brasil é publicado pela editora JBC, em uma edição única, com 400 páginas em offwhite, capa cartão sem orelhas com verniz localizado e páginas coloridas,  no formato ‎ 20 x 13.2 x 2.6 cm.

Onde comprar: Amazon

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