MB Review – As Crônicas da Era do Gelo #2

Em Maio de 2021, a editora Pipoca & Nanquim começou a publicar no Brasil o mangá ‘’As Crônicas da Era do Gelo’’, de Jiro Taniguchi, autor de outras obras publicadas por aqui, como ‘’Gourmet Solitário’’ e ‘’O Homem que Passeia’’ (ambas da editora Devir). As Crônicas da Era do Gelo começou a ser publicada em 1988 no Japão e é completa em 2 volumes. Aqui no Brasil, o volume 1 saiu em maio e este segundo e último volume, em Junho.

Já fizemos um review do volume 1 aqui no site, portanto iremos falar um pouco da obra COM SPOILERS. Se você ainda não leu, recomenda-se ler ambos volumes antes de continuar.

Apesar do volume 1 nos apresentar um mundo totalmente na Era Glacial, neste segundo volume vamos a um cenário totalmente diferente. Devido a um acontecimento que mudou a posição do eixo da Terra, as geleiras começaram a derreter e, como consequência, os protagonistas precisam enfrentar essa mudança climática, que trouxe novos seres que estavam adormecidos na Era Glacial. 

Na primeira parte desse volume, vemos que Jiro Taniguchi apresenta a ‘’Natureza’’ como um dos personagens principais da obra, fazendo com que ela dite a ordem das coisas. Vemos uma floresta a qual se movimenta, por exemplo, devorando uma das enormes baleias que foi apresentada no volume 1. É mostrado que é preciso ter um ‘’diálogo’’ com a Natureza, que ela tem ‘’vida própria’’, pois a Natureza não é o inimigo principal como pensamos que é.

 

Na segunda parte do volume, temos um contraponto interessante. Assim como a ‘’Natureza’’ é um dos personagens principais da obra, a ‘’Tecnologia’’ também é outro personagem chave. A máquina principal, que acaba despertando devido às mudanças climáticas, se volta contra os humanos, criando novos seres chamados ‘’A.D.O.L.F.’’, uma nova categoria de seres superior aos humanos, para eliminar a humanidade que ainda resta e eliminar de vez a natureza. E é aí que a obra traz um conceito interessante, dois lados opostos brigando um com o outro, de um lado a natureza, de outro a tecnologia, certamente é algo que o autor deixou para fazermos refletir e chega a ser bizarro de como a obra, apesar de ser feita em 1988, consegue ser tão atual. 

Quanto à arte, assim como o primeiro volume, Jiro Taniguchi apresenta belíssimas paisagens, em que o leitor até pausa a leitura pra admirar o traço do autor. Há diversas florestas, desde as que se movem quanto as que dominaram as cidades, diversos seres, máquinas e por aí vai, tudo muito bem detalhado. Neste volume fica mais claro ainda influências da obra como Akira, de Katsuhiro Otomo.

Porém, nem tudo são flores. Para fechar a história, alguns acontecimentos são corridos e alguns conceitos são pouco explicados, como por exemplo o gigante com asas que ajuda o protagonista durante o segundo volume, pouco se é mostrado sobre sua origem. A batalha final também é bem corrida, apesar de ter uma solução boa. Fica um gosto de querer mais, por exemplo, com os seres ‘’A.D.O.L.F.’’, que são criados perto do final. A obra tem um desfecho bem aberto, o que pode acabar decepcionando alguns leitores. O próprio autor comenta sobre isso no posfácio, que a obra teve um desfecho corrido e que um dia ele gostaria de revisitar a história para explorar mais dos conceitos apresentados, o que infelizmente não pode ocorrer, visto que o autor faleceu em 2017.  

No fim das contas, ‘’As Crônicas da Era do Gelo’’ é uma obra que surpreende, principalmente neste volume 2, fazendo os leitores questionarem um pouco sobre esse embate da tecnologia x natureza. Apesar do desfecho no clímax, é uma excelente obra para conhecer a versatilidade de Jiro Taniguchi e com certeza é impossível não se entreter com todos os cenários que são apresentados em ambos volumes. 

Igualmente ao primeiro volume, a edição da editora Pipoca & Nanquim é muito bem caprichada. A obra tem o mesmo formato de outros mangás da editora: capa cartão com sobre capa com verniz localizado. Este volume tem 312 páginas, um pouco mais que o primeiro e também conta com um marcador de página. O destaque da edição brasileira é o aproveitamento das artes coloridas da obra, que foram utilizados na capa e nas guardas dentro do mangá. Agradecemos a gentileza da editora em nos disponibilizar o volume para essa análise, muito obrigado!

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