MB Nacional: Duo.tone – Duas histórias/tons

Duo.tone é uma HQ Nacional do Vitor Cafaggi, sendo sua primeira publicação independente em 2012, e republicada pela editora Conrad em formato digital em 2020. O autor dispensa apresentações, principalmente por estar em voga como autor das HQs de grande sucesso em suas adaptações ao cinema: Turma da Mônica – Laços e Lições.

Vitor tem outros trabalhos, como participação em Pequenos Heróis e Futuros Heróis, além de Valente, e as tirinhas que eu conheci o trabalho dele: As Incríveis Aventuras do Pequeno Parker. Em Duo.tone, vemos o seu início como autor, e é disso que iremos tratar nesta resenha.

Sinopse: A edição colorida apresenta duas histórias. Na primeira, o menino Tim sofre com a mudança de sua família do sítio para a cidade grande; Na segunda, dois jovens namorados descobrem uma maneira bem divertida de aproveitar o sábado.

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Em Duo.tone, temos duas histórias principais sobre dois personagens diferentes (ou talvez nem tanto assim). Na primeira temos Tim, o Super-Menino, um super-herói que salvou pela última vez a cidade de Cavernópolis, já que sua família está de mudança do sítio e ele tem de deixar seus super-amigos para trás: Senhor-Super, Rock Gorilla, Homem-Água e Senhor Lobo, com uma despedida mais emocionada que a outra.

Nessa mudança, Tim tem de sair do mundo de fantasias que ele vive e começar a viver no mundo real, “crescer”, como disse sua mãe. Ele entende tudo isso, mas sabe que não é fácil, principalmente quando o mundo real não é tão bonito quanto o anunciado, e muito mais assustador do que ele esperava.

Aos poucos ele percebe que, por mais que ele esteja mudando, sua imaginação não lhe abandona, e talvez ele já conheça esse novo mundo.

Já na segunda história acompanhamos Yoshio, um garoto da cidade indo encontrar com sua namorada na única atividade possível para eles: um cinema (um pouco de crítica social aqui, pois crianças da cidade não tem muitos lugares disponíveis para conviverem). 

No caminho, Yoshio cruza com alguns robozinhos indo na direção contrária e como Alice seguindo o Coelho Branco, ele vai atrás. Até que descobre um laboratório onde está sendo montado um robô gigante, ao qual Yoshio é escolhido como seu piloto, ao melhor estilo super-herói, mas talvez Yoshio não seja o herói que os robôs esperam.

Em Duo.tone temos duas histórias, mas além disso temos dois tons, sejam nas histórias ou entre elas. Temos os dois personagens transitando entre o mundo real e o imaginário. Vemos também que, enquanto Tim deixa de ser um herói, Yoshio se torna um. É essa dualidade que conduz a narrativa. E se em uma primeira leitura eu achava que terminava do nada, reler Duo.tone me fez perceber que elas são completas e fechadas em si mesmas, mesmo que exista espaço para que elas se estendam, e quem sabe, se encontrem.

O traço do Vitor Cafaggi é maravilhoso, bem característico do autor, com seus personagens cabeçudinhos e uma disposição de quadros que consegue bem transmitir a sequência de ações. Considerando que o autor veio de um trabalho de tiras, que é um tanto diferente na sua organização. 

Falando de tiras, ao final temos uma pequena história em tiras sobre Tim na escola, que creio eu que não havia na sua primeira publicação. Um problema na versão digital montada é que as páginas não ocupam todo o espaço da tela, sobrando alguns artefatos, como é possível ver nas imagens que compõem essa resenha, mas isso certamente não acontecerá na versão física que a editora anunciou na CCXP 2021.

Concluindo, Duo.tone é um excelente quadrinho para quem quiser conhecer os primeiros trabalhos do Vitor Cafaggi e perceber que a imaginação é uma base sólida das histórias desse mineiro que já está conquistando o mundo dos quadrinhos.

Onde comprar: Amazon (Kindle)

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