5 Mangás que você (provavelmente) não deu uma chance, mas deveria

Por mais que o mercado de mangás brasileiro não chegue nem perto de outros mercados ocidentais, como França, Itália e Estados Unidos, por exemplo, isso não quer dizer que nosso mercado necessariamente tenha poucos títulos, ou seja, pequeno. Pelo contrário, todos os anos somos surpreendidos com uma enxurrada de anúncios pelas principais editoras. Mesmo que nos últimos dois ou três anos a quantidade de anúncios anuais tenha diminuído, ainda assim, “vira e mexe” as editoras anunciam algo. Outro detalhe interessante é que cada vez mais outras editoras têm apostado em mangás no Brasil. Com toda essa movimentação, alguns títulos acabam passando despercebidos pelo grande público. Simplesmente são deixados de lado pois existem outras obras mais famosas – mas não necessariamente melhores – sendo publicadas. 

Pensando nisso, tive a ideia de separar cinco obras – quase todas publicadas aqui por completo – que eu não vejo muitas pessoas comentando sobre, mas que eu particularmente gosto e acho que mais gente deveria conhecer. As editoras brasileiras não possuem o costume de divulgar a tiragem dos mangás, e nem quantas cópias foram vendidas, mas tudo leva a crer que tais obras não venderam tão bem, infelizmente. Não se preocupem, até onde eu sei, as coleções que irei colocar aqui não são aquelas raridades, que causam a maior dor de cabeça, pois como eu disse, não são coleções que possuem uma procura tão grande.

Não há aqui uma ordem de melhor para pior (ou vice-versa), apenas separei cinco mangás e vou listá-los em ordem alfabética. Sem mais delongas, vamos lá:

Golgo 13

A história gira em torno de um assassino de aluguel conhecido como Golgo 13 que faz o possível e o impossível para eliminar seus alvos e concluir seu trabalho com eficácia, usando seu vasto arsenal e as mais variadas técnicas de assassinato. Os acontecimentos do mangá não se passam apenas no Japão, o assassino atua em vários países e até já chegou a ir ao espaço. O mangá é destinado ao público adulto, pois o tom da série é mais maduro. Se você gosta de uma boa trama policial, no melhor estilo hard-boiled, regada a bebidas, sexo, tiroteios e sequências de quadrinização incríveis, você definitivamente deveria dar uma chance à Golgo 13.
O mangá tem um charme próprio, com traços um pouco mais grosseiros do que estamos acostumados a ver atualmente. Mas esse é um ponto positivo, já que Golgo é fruto de um movimento que não existe mais, o Gekigá, onde os mangás são voltados para o público adulto e abordam assuntos mais realísticos, dramáticos e menos fantasiosos. 
Criado por Takao Saito, e em publicação desde 1968, apenas 3 dos 198 volumes de Golgo 13 (isso mesmo, Golgo 13 possui 198 volumes e ainda está em andamento) foram publicados pela Editora JBC no selo “JBC Graphic Novel” em 2010. Por mais que somente 3 volumes tenham sido publicados aqui, as histórias do mangá são independentes. Ou seja, você não precisa de ler um volume para entender o outro. Portanto, se você topar com o mangá por aí, recomendo que dê uma chance, pois além de fantástico é curto (pelo menos aqui no Brasil). Golgo 13 já recebeu adaptações para animes, live-actions e jogos de videogame.

Love in the Hell

Quando vi o anúncio desse mangá, em 2014, confesso que olhei com maus olhos para a capa. Tudo me levava a crer que seria apenas mais um ecchi genérico e sem graça, como a grande maioria. Após dar uma rápida pesquisada sobre o mangá e descobrir que era curto, resolvi dar uma chance. E já adianto, não me arrependi. O mangá possui um humor negro muito bacana, além de cenas de gore (todas ainda no contexto do humor) que dão um charme a mais para quem gosta dessas histórias.
O mangá conta a história de Rintaro, um homem de 27 anos que sofreu um acidente doméstico e faleceu, sendo mandado diretamente para o inferno. Chegando lá, ele conhece Koyori, uma diabinha que vai “ajudar” Rintaro a pagar pelos seus pecados. O problema é que Rintaro não se lembra de ter cometido nenhum pecado quando estava vivo. Mesmo assim, ela precisa fazer com que Rintaro “trabalhe” no inferno para expiar os supostos pecados que ele cometeu em vida, passando até por uma espécie de “Amazon” infernal. Caso não cumpra seu trabalho com eficácia, ele será punido das formas mais brutais e inusitadas possíveis. O inferno criado pelo autor é bem criativo, assim como as situações em que vemos Rintaro envolvido.
Criação de Reiji Suzumaru, o mangá foi publicado no Brasil entre fevereiro e abril de 2015, época que a JBC estava lançando um título atrás do outro. A obra possui apenas 3 volumes e é altamente recomendada para aqueles que procuram um mangá com um humor mais sombrio, ecchi na dosagem certa e uma história rápida e leve de ser lida. 

O Livro do Vento

Lançado no Brasil pela Panini em 2006, esse mangá recebeu um tratamento diferenciado por parte da editora, com sobrecapa (infelizmente o papel é o jornal) e teve até comercial veiculado na TV. Se quiser assistir ao comercial, clique aqui. Quando essa obra foi lançada, eu sequer sabia o que era mangá, então só fui ler o título mais de uma década após o lançamento por aqui. 
Para quem gosta de histórias de samurai com uma pegada mais realista, mas não está querendo obras longas, O Livro do Vento é uma excelente pedida. O mangá possui um único volume e, além de possuir ótimas sequências de duelos, tem uma trama política muito interessante. Desta vez, um manuscrito sob posse da famosa família Yagyu é uma peça chave para que o imperador deposto possa assumir o poder novamente.
Não posso dar muitos detalhes já que, por ser apenas um volume, qualquer coisa que eu falar a mais que o necessário pode atrapalhar a experiência de leitura. Um ponto muito interessante é que os acontecimentos do mangá se relacionam, implicitamente, com a postura do Japão durante a Segunda Guerra Mundial.
O Livro do Vento possui roteiro de Kan Furuyama e arte do mestre Jiro Taniguchi e, como disse anteriormente, possui apenas um volume. Por mais que pareça ser um mangá difícil de achar por ser antigo, na verdade é possível encontrá-lo até com certa facilidade. Este ano mesmo (2020) adquiri um exemplar novo por R$5,00. Essa obra é indicada não apenas para os fãs de samurai, mas para todos aquelas que gostam de um bom volume único, com um bom roteiro e uma arte incrível. 

Prophecy

Quando Prophecy foi lançado pela JBC, em 2014, eu era colecionador de mangás há pouco tempo e foi justamente na época em que a JBC arriscava trazer obras curtas um tanto desconhecidas pelo consumidor brasileiro. Levado pela empolgação, fiz a assinatura da série, já que a capa e a premissa me chamaram a atenção, além de ser apenas 3 volumes. Hoje, 6 anos depois, aqui escrevo para recomendar essa obra para vocês. 
Prophecy é mais um mangá com trama policial. A história gira em torno de “Jornal”, um justiceiro que usa uma máscara feita de jornal e que sentencia, por conta própria, aqueles que considera criminosos. As formas como ele pune os malfeitores varia de acordo com o “crime” cometido pelos mesmos. E ,antes de executar o castigo, Jornal divulga vídeos online sobre quem será o próximo a ser punido e o porquê tal pessoa será castigada. Em contrapartida, existe uma policial que tenta descobrir quem é o “Jornal” e tenta impedi-lo. 
Muitos podem logo assemelhar com Death Note, mas a pegada é bem diferente. Prophecy é um mangá muito mais “pé no chão”. Por mais que o Jornal possa parecer um vilão, ele não é como o Kira, por exemplo. Mesmo que suas ações sejam questionáveis, muitas vezes fui pego compactuando com as coisas que o protagonista fazia, o que pode gerar um debate bem bacana. Tudo isso com uma arte muito bonita. Com certeza eu gostaria de ver mais obras do autor por aqui. 
De autoria de Tetsuya Tsutsui, Prophecy foi completo em apenas 3 volumes. É um bom mangá, com um bom preço (principalmente hoje em dia) e com uma edição bem legal, materiais de boa qualidade. Alguns questionam o final da obra, mas eu particularmente gostei bastante dele. 

Toriko

Frequentemente motivo de piada nos grupos de mangás que eu participo, é verdade que Toriko não possui capas tão atrativas e a temática, pelo menos num primeiro momento, causa estranheza. Contudo, afirmo que Toriko é facilmente um dos shounens mais injustiçados dos últimos tempos. O mangá é publicado pela Editora Panini no Brasil desde 2013 e atualmente está no seu 35º volume. No Japão, a obra foi concluída com 43 edições encadernadas.
O mangá acompanha Toriko, um “caçador gourmet” que sai no mundo extremamente fantasioso da série a procura dos ingredientes indispensáveis para completar o “menu perfeito”. A descrição da obra também não ajuda muito, mas garanto que Toriko é um dos battle shounens mais divertidos que já li. Mesmo que o início da série seja meio lento, logo a coisa pega um ritmo, vilões vão aparecendo e daí em diante não para mais. Os poderes dos personagens são muito legais, o mundo é muito, mas muito rico e fantasioso, com animais extremamente exóticos e colossais e lugares belíssimos. Tudo isso com lutas muito bem coreografadas. 
Eu diria que Toriko é uma mistura entre One Piece, Hokuto no Ken e um shounen de culinária (não vou comparar com Shokugeki no Souma, pois Toriko é mais antigo que o mesmo). Se você gosta de um mangá de aventura diferente do usual, com muita ação e até mesmo bons momentos de comédia, dê uma chance pra Toriko.
A arte é outra coisa que me agrada muito, o autor usa um traço bastante carregado, mas que ao mesmo tempo consegue ser agradável aos olhos. Funciona ainda melhor em conjunto com o mundo extraordinário dele. E, mesmo após batalhas, Toriko e seu grupo sempre arrumam um tempinho pra saborear algum prato novo. Na série temos desde um polvo gigante com aparência de melão até uma criatura que tem um pudim brotando de sua cabeça (sério, ler Toriko dá fome).
O mangá criado por Mitsutoshi Shimabukuro é meu xodózinho, mas não teve tanta sorte assim no Brasil. A editora Panini alega que ele não foi cancelado e logo voltará a ser publicado, mas em breve fará 1 ano desde que o volume 35 foi lançado (ajuda aí Panini, estamos quase no fim da coleção). O motivo pra isso? Toriko é um fracasso em vendas no Brasil. O público em geral não se interessou pela obra, mas quem tem a coleção gosta muito. Por isso eu indico aqui para vocês, é um mangá divertidíssimo que considero injustiçado. Como disse anteriormente, se é um shounen diferente, não na fórmula, mas nas ideias, o que você procura, existe uma grande possibilidade de gostar de Toriko. No Japão, o mangá foi adaptado para anime e também para jogos. 

Reforçando o que eu disse no início, essas são obras que gosto e, logicamente, o texto é baseado apenas na minha opinião. Existe a possibilidade de você não gostar de algum mangá que eu indiquei? Claro! Assim como existe a possibilidade de você gostar. Falando nisso, existem mais dois mangás que eu também considero injustiçados mas não entraram na lista, por eu já ter escrito textos sobre eles aqui mesmo. São eles: Lúcifer e o Martelo e Thermae Romae. Você pode ler os textos clicando aqui e aqui, respectivamente. 
Bom, por hoje é isso! Espero que tenho gostado das indicações. Nos vemos numa próxima!!!

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