MB Classic: Kimagure Orange Road

Os anos 80 foi uma década fantástica! Franquias como Dragon Ball, Jojo Bizarre Adventures, Hokuto no Ken, Saint Seiya  e tantas outras obras de sucesso na famosa Weekly Shounen Jump. Mas tem uma obra em específico que contribuiu para o gênero comédia romântica numa revista voltada para garotos e que teve uma rivalidade sadia com uma das maiores obras da Kodansha naquela época, Maison Ikkoku da mestre Rumiko Takahashi. Estamos falando de Kimagure Orange Road.

Kimagure foi uma das séries precursoras no gênero comédia romântica, e podemos dizer que ela é atemporal e ao mesmo tempo datada. Como assim?

A obra é datada pelo seu traço bem anos 80, movimentação dos personagens e cenários. Isso porque a obra sofreu uma mudança de traço significativa desde do seu início, em 1984, ficando parecida em seu final com a animação, que também tem questões que envelheceram mal como abertura/encerramento e trilha sonora.

Porém, é uma obra atemporal por conta de seu enredo e seus personagens, podendo ser levada até como uma obra de vanguarda, pegando o contexto da década onde questões como o machismo ainda era fortemente predominante no Japão e em boa parte do mundo.

A princípio, a história de Kimagure parece boba. A família Kasuga vive se mudando devido a uma peculiaridade dos seus membros, poderes especiais que vão desde telecinese até transferência de personalidade. Para poderem levar uma vida normal, eles precisam esconder da sociedade seus poderes e, por conta principalmente da personalidade das irmãs gêmeas Minami e Kurumin, essa tarefa é bem árdua.

Aí que chegamos ao nosso protagonista, Kyousuke. Chegando em mais uma nova cidade para tocar a sua vida,ele encontra uma linda garota nas escadarias. Eles se olham, flertam e Kyosuke se apaixona à primeira vista., mas a vida não é como desejamos, e o nosso garoto vê que a bela moça não é o que parece. 

O foco de Kimagure Orange Road é o clichê do triângulo amoroso, mas o nosso protagonista não é bem a peça central e também não tem um harém à disposição. Kyousuke é o típico protagonista dessas comédias, cara gente boa, não é o galã mas tem uma personalidade do bem e não faz mal a uma mosca. Essa característica faz a obra esticar… e esticar até o seu clímax. O que a deixa ainda mais datada.

O ponto de mudança são as duas moças que gostam do nosso simpático rapaz. Madoka Ayukawa, uma das protagonistas, viveria normalmente sua adolescência nos dias de hoje. Totalmente independente, ela é vista como uma delinquente, mas ela apenas quer curtir sua vida sem dar satisfação a ninguém. Honesta, autêntica e fiel, ela não arranca só suspiros de Kyosuke e sim de muitos fãs das obras, justamente pelo seu jeito livre e justo de ser. Tanto que ela é a personagem “símbolo” da obra. Ayukawa tem um comportamento frio e se incomoda demais com a personalidade do nosso protagonista, gerando situações constrangedoras.

Já a outra ponta do triângulo é a melhor amiga de Ayukawa, Hikaru Hiyama. Ela se apaixona por Kyosuke ao ver seus poderes especiais em ação. Extremamente fofa e determinada, Hiraku é irritante por sua insistência. Menos independente que Ayukawa, ela também é rebelde, mas para “chamar a atenção” do que um estilo de vida mal interpretado.

A personalidade das duas, junto com o seu desenvolvimento com Kyosuke, e somado a bons personagens secundários é a parte atemporal de Kimagure. Os personagens tem camadas de defeitos e qualidades, são mais complexos, mas não numa forma negativa e sim no que podemos chamar de uma forma mais “limpa”. A linha de passagem do mangá é o dia-a-dia desses personagens, a interação entre eles em situações vividas por adolescentes, tudo isso junto ao fato dos Kaguyas tentarem esconder os seus poderes o tempo inteiro.

Tem alguns pontos que muita gente fica irritada, principalmente com a personalidade do Kyosuke, desejando que as garotas o abandonem por sua indecisão. Adicione os bordões falados por eles, como Hikaru que chama o amado de “Darling” o tempo inteiro e os delírios do protagonista com “Oh Ayukawa…” Isso que realmente irrita.

Essa tomada de “enrolação” é levada durante a série de tv, que tem 48 episódios e também  em boa parte do mangá. Aí que começa a “parte interessante da obra”, a final, quando Kyosuke resolve romper o triângulo. Diferente das obras que surgiram após Kimagure é mostrado os efeitos dessa escolha. A comédia dá lugar a um ótimo drama, mostrando os diversos pontos de vistas após tal mudança que afeta a vida dos três protagonistas, culminando num final satisfatório, que acabou agradando a todos os leitores. 

Tem um pequeno detalhe: esse final é mostrado animado de uma forma mais completa no filme, que foi sair quase 10 anos após o fim do mangá. 

Kimagure Orange Road foi uma obra que fez muito sucesso no Japão e pelo mundo com seus personagens carismáticos e uma boa história, numa época bem diferente dos dias de hoje. Mesmo datado vale a pena ver, uma comédia simples com uma boa carga emocional.

Obra de Izumi Matsumoto, Kimagure Orange Road foi publicado no Japão entre 1984 a 1987. A animação em TV foi de 1987 a 1888, tendo uma série de 8 OVA’s (Animações Originais para Vídeo) entre 1989 a 1991 e finalizando com um filme lançado em 1996. Tanto o mangá como a animação saíram em diversos países e em diversos formatos, mas infelizmente nenhum chegou ao Brasil de forma oficial.

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