MB HQ’s – Deus em Pessoa: ele voltou, e agora?

“Deus ao criar o homem, superestimou sua capacidade, e o homem ao criar Deus subestimou a sua vontade”.

O ano é 2021. O mundo encontra-se em uma extrema crise financeira, polarização política e uma pandemia que parece ter sido enviada como a cereja do bolo para um possível Armagedon e, em algum ponto durante esse período histórico, se encontra a minha pessoa que, por um acaso ou evento divino, está lendo um quadrinho extremamente “preciso” para essa excêntrica época porque, diante de todo esse caos, é mais que válido a pergunta: e se “Deus” voltasse?

– O Enredo

“Deus em Pessoa” é uma graphic novel francesa de Marc-Antoine Mathieu, publicada no Brasil pela editora “Comix Zone”, e que faz uma sátira sobre o que aconteceria se o Todo Poderoso viesse à terra na contemporaneidade.

A história aborda de forma majestosa e cômica todos os processos que a humanidade sofreria até a aceitação de que, de fato, Deus está entre nós (fisicamente) e os efeitos que isso teria para o mundo.

Como, por exemplo, desde o momento da chegada Dele na Terra, como Ele iria dar explicações que de fato Ele é o criador, as desconfianças, as perguntas e a falta de crença, a HQ traz tudo isso de forma burocrática e sem muito do toque religioso que o nome “Deus” carrega, chegando a momentos cômicos que Ele tem que passar na fila do censo e comprovar que não tem identidade humana e até responder perguntas sobre seu estado mental.

Como dito acima, ocorre que após a aceitação da humanidade de que de fato Deus voltou, boa parte da população começa a processá-lo simplesmente por sua existência, por criar a humanidade ou por ser negligente com o mundo e permitir o “sofrimento”.

E claro, a HQ ainda traz consigo momentos em que Deus tem que participar do júri humano (irônico não?) para responder aos processos ou questões jurídicas até do uso do Seu nome, tudo isso de forma cômica e cirúrgica.

A narrativa também utiliza da existência de Deus como crítica ao modelo capitalista e social que a humanidade adquiriu, como por exemplo, logo depois da aceitação de que Deus voltou, a humanidade passa a vender Seus produtos, imagens, direitos legais, hqs e tudo que se pode imaginar para tirar lucro, tudo se tornou um espectro do consumismo e Deus foi engolido por isso também.

– A obra vale a pena?

A trama, além de cômica, é um ótimo material de estudo e reflexão do comportamento social humano na atualidade. Utilizar do contexto imaginário e de um Ser maior como um centro para uma problema serve de explicações para atitudes e ideias duvidosas presentes na história e presente na nossa sociedade.

Deus voltou… como fica nossa existência? Como vou lucrar com isso? Chega um momento em que algo adorável se torna comercial demais, e alguém tem que lucrar, a empresa, o mundo, e Deus deixa de ser Deus…

Estamos em 2021, o mundo encontra-se a em uma extrema crise financeira, polarização política e uma pandemia que parece ter sido enviada como a cereja do bolo para um possível Armagedon e eu me pergunto…não está na hora de Deus voltar?

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