MB Games: Danganronpa: Trigger Happy Havoc

Um dos gêneros de jogos menos comentados aqui no Ocidente são as Visual Novels. Muito conhecidos no Japão, os jogos que seguem esse tipo de jogabilidade são considerados livros interativos, em que você vai acompanhando o desenvolver da trama decidindo determinados caminhos que o personagem deve seguir ou não e como o personagem deve se relacionar com determinadas pessoas.

Recentemente, o gênero ganhou fama novamente no Ocidente com o incrível Doki Doki Literature Club lançado em 2017, que inclusive ganhou uma versão recente para os consoles.

Porém, um dos mais conhecidos quando se fala sobre Visual Novel, seja pelos memes ou por realmente ser bastante popular por aqui é Ace Attorney, também conhecido como Phoenix Wright, e que muita gente inclusive nem sabe que esse é o nome do protagonista de alguns jogos e não da franquia. A série de mistério com a busca pela verdade e os julgamentos no tribunal tem uma legião de fãs.

Então…o que aconteceria se misturassem isso com Battle Royale, o livro de Koushun Takami, que conta a história de alunos que precisam matar uns aos outros?

Do resultado disso saiu Danganronpa: Trigger Happy Havoc, produzido pela Spike Chunsoft, lançado em 2010 e adaptado para diversas outras plataformas até então. Além de animes, mangás e outros produtos derivados.

Sinopse

A Academia Auge da Esperança (no original, Hope’s Peak Academy) fez uma convocatória para alguns alunos. A escola de elite aceita apenas os maiores em suas áreas. Literalmente. Não basta ser o melhor. Precisa ser O Supremo.

E dessa forma, os alunos são escolhidos.

Além disso, é feito um sorteio com todas as pessoas do mundo, com a faixa etária para a escola, para que uma pessoa seja aceita. Devido a baixíssima chance de você ser escolhido, nada mais justo do que você ser considerado O Sortudo Supremo.

E é justamente este o seu papel enquanto protagonista. Makoto Naegi, o sortudo supremo. Porém, ao entrar na escola, se depara com Monokuma, um urso de pelúcia preto-e-branco que declara ser o diretor do colégio e logo em seguida diz para todos que estão presos nessa escola e que o único jeito de sair, graduado, será matando um colega de sala. Mas apenas isso não basta. Assim que um corpo é descoberto, vocês se submeterão a um julgamento. Se descobrirem que você foi o assassino, você morre. Se não, todos morrerão e você será graduado.

Jogabilidade

Danganronpa: Trigger Happy Havoc tem um gameplay simples, mas que não deixa de ser envolvente. Durante boa parte do tempo, você anda pela escola, explora locais dela que você não conhecia e pode mexer nos diversos itens disponíveis em cada sala.

Além disso, há também o Tempo Livre (no original, Free Time) em que o jogador pode escolher sair de seu quarto e conversar um pouco com qualquer um dos colegas de escola que ainda estão vivos. Ao conversar, além de conseguir uma interação interessante entre os personagens, você ganha uma habilidade que pode ser útil nos momentos em que o jogo realmente brilha, os julgamentos.

Após o fim da conversa com alguma pessoa, você pode presenteá-la. Os presentes podem ser comprados em uma parte específica da escola, e são pagos com moedas que você ganha por explorá-la.

Mas até mesmo a relação dos presentes deve ser pensada, pois não serão todas as pessoas que gostarão de todos os presentes, além de que a máquina que você compra é um Gachapon, ou seja, aquelas máquinas sortidas em que vem um item à sorte.

Julgamento

Como falei acima, o momento que o jogo brilha mesmo é nos julgamentos de classe. Quando um corpo é encontrado, começa o tempo de Investigação. Você começa buscando itens ao redor do corpo, interrogando pessoas próximas, procurando pistas pelo local e quando reunir uma quantidade específica de pistas, o julgamento se inicia.

Diferente de Ace Attorney, Danganronpa são várias pessoas discutindo seus pontos de vista. Então seria necessário uma nova forma de contra-atacar. Além disso, não há promotoria ou defesa. Todos são suspeitos. Todos se atacam. Cabe a você, usar as dicas que tem para diminuir a lista de suspeitos e chegar ao verdadeiro culpado.

E a forma que a jogabilidade faz isso é única.

Cada uma das pistas que você investigou se torna uma “Bala da Verdade”. Quando uma discussão começa, seu revólver é carregado com algumas delas. Enquanto as pessoas falam, suas frases vão aparecendo, assim como suas contradições e cabe a você mirar e atirar com a pista certa para ver qual o elo fraco do argumento e destruindo-o para dar prosseguimento ao caso.

Além disso, caso você precise lembrar de algum ponto em específico que entendeu logicamente, começa um minigame semelhante à Forca, em que você precisa descobrir qual a palavra que quer ser formada e achar as letras, na ordem certa.

Quando o culpado, ou alguma outra pessoa, está desesperada, tentando contrariar devido a emoção ou o calor do momento, você começa uma batalha de ritmo atirando no momento certo para conseguir não perder a compostura.

Por fim, quando tudo já está encaminhado para a finalização, basta juntar todas as evidências em um Argumento Final, recontando a história inteira como uma recapitulação em estilo HQ.

Gráficos e Sons

Os visuais de Danganronpa são únicos. Todos eles muito inspirados e bem característicos. Seu traço acaba sendo bem marcante e mesmo os personagens mais sem graça visualmente ainda são bem chamativos. Sendo bastante semelhante a animes, os gráficos são um show à parte.

Outra coisa que chama bastante a atenção neste ponto, e que acabou virando uma marca ao longo da série, é a troca de cor de sangue, de vermelho para rosa, buscando diminuir a classificação indicativa do jogo.

Quando um assassino é pego, ele é executado em um cenário montado especificamente para ele, muitas vezes relacionado a seu talento supremo. E todas as execuções são lindas visualmente, mesmo que nem todas tenham conceitos interessantes por trás. 

Já sobre a parte de sons, este trabalho merece um aplauso à parte. Todos os sons, sejam os efeitos sonoros ou trilhas contribuem demais para a atmosfera que o jogo quer passar. As músicas são cativantes, cada qual com sua peculiaridade.

Quando se descobre que um aluno foi morto, a música ajuda a criar o tom de uma forma que você já sabe o que vai ver ali.

As dublagens também são bem feitas, com uma extrema competência. É possível alterar a língua da dublagem em japonês ou em inglês. Ambas são muito boas, então fica por conta de quem for jogar mesmo.

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Pontos Negativos

Infelizmente, nem tudo são flores. A linearidade excessiva do jogo acabou me frustrando bastante, sendo que, mesmo que tenha uma história interessante, a única coisa que você tem realmente a opção de alterar é com quais pessoas você vai conversar no Tempo Livre.

Em algumas investigações, nem sequer a ordem das pistas pode ser feita da forma com a qual você quer, com o jogo te prendendo em um cômodo falando “Ainda não vimos tudo aqui” até que você ache o último item.

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Considerações Finais

Danganronpa: Trigger Happy Havoc consegue executar muito bem o que se propõe. Apesar do gráfico de anime, a ambientação de todo o jogo é tensa e você fica se perguntando constantemente se haverá um corpo ali sempre que abrir uma sala. A relação entre os personagens é algo muito bem feito e causa interações das mais diversas, desde hilárias até provocativas para continuar seguindo em frente. Mas tenha ciência de que, para jogar um jogo desse, você vai ter que ler. E ler. E ler muito. Oficialmente o jogo está apenas em Japonês e em Inglês.

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