MB Review: Gunsmith Cats

Em setembro de 2019, a Editora JBC anunciou um título que me deixou surpreso, positiva e negativamente. Acontece que achei muito interessante a aposta da editora em trazer um título relativamente antigo, como Gunsmith Cats. Eu já conhecia a obra por causa dos excelentes OVA’s lançados entre 1995 e 1996 pelo estúdio OLM, e fiquei empolgado com a vinda da mesma para o Brasil.

Alguns minutos depois, conversando com outras pessoas em um grupo de Facebook sobre o anúncio, descobri que o mangá anunciado pela JBC era, na verdade, a sequência do mangá original, por isso o “Burst” no título. Não entendi muito bem o porquê da sequência ser lançada, sendo que nunca tivemos a série anterior. Por isso, logo depois da grata surpresa do anúncio, fiquei um tanto desapontado e acabei esquecendo do mangá. Mas muita água passou debaixo da ponte, e hoje, aqui estou escrevendo esta resenha. 

Escrito e ilustrado por Kenichi Sonoda, Gunsmith Cats Burst foi lançado no Japão entre julho de 2004 e setembro de 2005, na revista Monthly Afternoon, da editora Kodansha e finalizado em 5 volumes. No Brasil, os 5 volumes foram compilados em 2, e lançados em janeiro e março de 2021, respectivamente. O lançamento via e-book no Brasil ocorreu cerca de 1 ano antes da edição impressa, também pela JBC. Já o Gunsmith Cats original, foi publicado no Japão na mesma revista do Burst, entre 1990 e 1997, sendo concluído em 8 volumes. 

Sinopse:

“Rally Vincent e Minnie May. Elas podem parecer duas garotas comuns, mas na verdade são duas famosas mercenárias armadas e perigosas. A dupla estrela Gunsmith Cats Burst, grande sucesso dos mangás e animes que marcou época criado por Kenichi Sonoda. A história retoma as aventuras de Rally e Minnie. Donas da loja de armas Gunsmith Cats na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, elas são conhecidas no submundo como as mais eficazes mercenárias em atividade. A dupla usa toda a sua habilidade e conhecimento em armas e explosivos para trabalhos sujos que vão desde capturar criminosos até colocar chefões da máfia atrás das grades.”

Rally, a protagonista.

Mesmo sendo estranho ler a continuação sem ter lido o original, Gunsmith Cats Burst pode ser lido tranquilamente de forma individual. É uma nova história envolvendo os personagens. Alguns detalhes como referências a acontecimentos passados e o background dos personagens ficam em aberto, o que eu não vou negar, é um tanto chato. Mas de resto, a história pode ser apreciada sem maiores problemas. 

As personagens principais são todas mulheres que, além de serem donas de uma loja de armas chamada “Gunsmith Cats”, atuam no submundo como mercenárias, cada uma com um tipo de especialidade, que vão desde arrombamento de fechaduras até uma maestria sem igual com armas de fogo. Outro ponto interessante é que as personagens não são estereotipadas, elas são fortes, convictas e perigosas. Em especial a maravilhosa protagonista, Rally, que é negra e apaixonada por carros tunados. Claro que existe algum fanservice aqui e ali, ainda mais pelo fato do público alvo do mangá ser adultos do sexo masculino, mas no geral, esse é um ponto muito positivo da obra.

A vilã presente no mangá se chama Goldy, e é uma mafiosa que possui muito mais que uma relação de ódio com a protagonista. A história delas é bem intrigante, mas não irei comentar pois seria spoiler. Uma coisa que me deixou meio perdido é que essa vilã aparentemente está retornando, ou seja, provavelmente aconteceram coisas na série original que são referenciadas brevemente em “Burst”, mas não é o suficiente para deixar os leitores 100% à par do contexto.

Além das garotas, um personagem muito legal e muito querido, é o Bean Bandit, um homem que sabe dirigir como ninguém e é apaixonado por carros, assim como Rally. Bean, conhecido como “Roadbuster“, é um piloto de fugas sem igual, que usa roupas completamente blindadas, sendo praticamente um “imortal”, além de possuir força e reflexos de alto nível. Ele é constantemente perseguido por um delegado chamado Percy, que atua em paralelo com a Goldy e fará de tudo, literalmente, para capturá-lo, sendo praticamente um vilão principal da trama. Ele é covarde e ardiloso, mas é muito divertido ver os planos mirabolantes que ele bola para pegar Bean. Bean Bandit, na verdade, é personagem de um mangá chamado “Riding Bean”, que foi escrito por Sonoda entre 1988 e 1989, mas existe no mesmo universo de Gunsmith Cats. Mesmo sendo um personagem de outra obra, é incrível como ele se encaixa organicamente na história de Gunsmith Cats, fazendo até mesmo Rally passar por “poucas e boas” por conta de suas atitudes. Riding Bean também recebeu uma adaptação para OVA, a qual eu indico muito, a animação é naquele lindo estilo old-school e as cenas de ação são ótimas. 

Roadbuster se preparando para mais um serviço.

Por mais que o traço possa fazer parecer que não, a trama é de certa forma, bem adulta, (afinal, a revista que serializou esta obra foi a mesma onde foram lançados mangás como Blade, Eden e Blame!. Todos lançados no Brasil pela JBC) tratando de assuntos como máfias e suas respectivas influências, policiais corruptos, tráfico de drogas e execução a sangue frio. 

As cenas de ação da publicação, é algo que merece ser destacado. É  quase como se o jogo “Need for Speed” se fundisse com a franquia de filmes “Die Hard (Duro de Matar)”, já que temos tiroteios, carros velozes e, pasmem, tiroteios em carros velozes. Vale destacar o grande conhecimento do autor em carros e armas de fogo (especialmente nas armas), todos os modelos presentes no mangá são reais e muitos deles têm seu funcionamento explicado em textos presentes entre um capítulo e outro, detalhando inclusive o funcionamento das munições usadas e suas variações. Para quem curte armas, mas não entende muito sobre o assunto (como eu), tais textos são bem esclarecedores, e fica ainda mais legal depois de ver tais armas em uso dentro do mangá. E para aqueles que gostam e entendem do assunto, tenho certeza que esse é um extra muito interessante.

Os quadros de tiroteio são frenéticos!

No fim, a leitura de Gunsmith Cats Burst foi muito mais interessante do que eu imaginava que seria. A obra mescla bem os elementos adultos, com ação estratosférica, bom humor e cenas brutais de assassinato. Inclusive, fiquei com vontade de ler o mangá original, o qual infelizmente, duvido que teremos oficialmente por aqui. O mangá possui traços simples, mas bem feitos e não é uma obra prima, nem aquele tipo de leitura que é profunda e possui várias camadas. Mas não há problema nisso, visto que a história nunca se propôs a ser assim. Iniciei a leitura sabendo que não seria um mangá ruim, mas acabei me divertindo mais do que eu esperava. Acho que uma nota 8, em 10, cabe bem na publicação.

A edição impressa possui o formato 13,2 x 20 cm, papel pólen soft e tem o preço de capa de R$62,90.

Onde comprar:

Volume 1 – https://amzn.to/3yyUdqo

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Espero que tenham gostado e até a próxima!

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