MB Review: Shaman King

Grandes mangakas nascem ao aprender um com o outro. Temos diversos exemplos assim, como foi com Tezuka e Ishinomori. Nobuhiro Watsuki, mesmo tendo caído em descrédito com as gerações mais novas pelo crime em que esteve envolvido, têm uma contribuição gigantesca. Dentre seus assistentes, dois se destacaram e criaram obras mundialmente famosas: Eiichiro Oda com seu One Piece, e Hiroyuki Takei com Shaman King.

Shaman King é uma obra enigmática que fez um sucesso imediato, por conta de suas lutas empolgantes e bons personagens e pela sua temática bem diferente. 

A lutas entre xamãs – sacerdotes que comunicam-se com o mundo dos espíritos com fins de cura ou previsão – na busca para tornarem-se o próximo Rei do Xamãs, um ser tão poderoso que pode definir os rumos do mundo.

O enredo

A história é narrada por Manta Oyamada, um garoto que estuda o tempo inteiro e não tem amigos. Um dia ele resolve cortar o caminho pelo cemitério para ganhar tempo e tem um encontro com a pessoa que mudará sua vida, o nosso protagonista Yoh Asakura.

Yoh é um rapaz despreocupado, com um visual bem descompromissado e seus fones de ouvidos. Ele está treinando para ser o Rei dos Xamãs, para viver a sua vida do jeito que ele acha melhor. Para ser o Rei Xamã, ele precisará usar espíritos poderosos. Manta acaba virando amigo de Yoh e também faz amizade com o espírito que o acompanha nesta jornada, o Samurai Amidamaru. Juntos eles acabam por unir forças para salvar a humanidade.

Neste primeiro volume, que equivale a duas edições japonesas, podemos dividir em três arcos: A apresentação de parte dos personagens da obra (Manta, Anna, Amidamaru, Ryo e Ren); A primeira batalha entre Ren e Yoh; e a de Jun, irmã de Ren, contra Yoh. O enredo, apesar de ter problemas, se desenvolve bem. O que podemos explicar mais pra frente é a forma que ele foi corrigido, já neste primeiro volume somos apresentados a uma boa ação e lutas diversificadas, incluindo até um belo combate de Kung Fu.

O que também chamou a atenção neste primeiro volume é a intensidade na personalidade dos personagens. Todos são apresentados com suas principais características, e são muito carismáticos. A interações entre Manta, Yoh, Anna e Amidamaru garante uma leveza incrível para uma obra com temática que caminha entre a ação/humor do shounen e a complexidade do tema.

A arte

O traço do Hiroyuki Takei é bem próprio, apesar de lembrar um pouco o traço do Oda. Capricha em “caras e bocas” e situações aleatórias – e às vezes constrangedoras – ocorrendo de background, além de personagens caricatos de suporte, como a exótica gangue do Ryo, os elementos bem característicos de obras do fim dos anos noventa no Japão, como o já citado One Piece, Bobobo-bo Bo-bobo , Groove Adventure Rave, entre outros.

A nova edição

A nova edição da JBC, apesar de BIG por conta da extensão da obra, é muito bem produzida. Possui as páginas coloridas dos dois primeiros volumes japonês, além de contar com as duas capas originais no volume, seguindo o mesmo padrão do Haikyuu, lançado recentemente pela editora.

A edição é mais caprichada por ser voltada à colecionadores, uma vez que a obra já saiu no Brasil em formato meio tanko, de 2003 a 2006, totalizando 64 volumes. Na primeira versão, usada pela JBC e publicada pela Shueisha, o final ficou incompleto após desavenças entre Hiroyuki Takei e a editora. A versão atual da JBC é a que foi lançada pela editora Kodansha, com o final verdadeiro e canônico e foi finalizada em 35 volumes. A versão brasileira já foi confirmada com 18 volumes e periodicidade bimestral.

Shaman King é uma ótima obra, com ótimas batalhas e personagens que marcaram a infância de muitos, e que abriu portas para o consumo de mangás e animes até hoje. Caso você queira adquirir a obra, pode encontrá-la na Amazon, na Japorama ou na Anime Hunter. Agradecemos a editora JBC por ter cedido o exemplar para nossa análise! Obrigado! 

Se você deseja ver como ficou essa versão, confira no vídeo: 

https://youtu.be/PWHW9pwiPeA

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