MB Review: Chi’s Sweet Home – Todo mundo quer a vida que um gato tem

Um formato novo, páginas totalmente coloridas e a narrativa da vida de uma gatinha. Essa é a aposta da JBC para Chi’s Sweet Home, mangá escrito e ilustrado por Kanata Konami, publicado originalmente na revista Weekly Morning, da Editora Kodansha, entre 2004 e 2015. A série já está concluída em 12 volumes e uma animação em 3D da série está em catálogo na Amazon Prime Video.

A pequena Chi ainda é só um bebê, mas sua vida já está agitada! Após se perder da mamãe gata e de seus irmãozinhos, a gatinha é adotada pela divertida família Yamada. O primeiro volume narra sua chegada à nova residência e a adaptação, tanto de Chi quanto de seus novos pais.

Ver Chi tão pequeninha descobrindo o novo lar e explorando todos os cantos de sua nova morada me fez lembrar com carinho dos primeiros dias de minha gata, Kakyou, em casa. A propósito, Kakyou é a minha gata mais velha mas não é ela a “garota propaganda” nas fotos com a Chi. Quem ilustra as imagens para essa postagem é Ruth, a gata gêmea do bem. Antes que me perguntem, sim, a irmã dela é a Raquel e é bem do mal. 

Sou gateira de carteirinha e tenho atualmente a tutela de seis felinos! E, levando essa vida de gato, reconheci e me identifiquei, com um sorriso no rosto e o coração quentinho, em várias e várias cenas do mangá. 

De narrativa lenta e construído de forma episódica, o primeiro volume de Chi’s Sweet Home nos apresenta a chegada da gatinha ao novo lar e as suas descobertas das mais variadas, capítulo a capítulo. Uma das coisas que me chamaram a atenção nesse mangá é a gradatividade do esquecimento de Chi sobre sua meta de voltar para a mãe e de encontrar sua família felina. Quando nos primeiros capítulos vemos a personagem confusa e até medrosa perto da família humana, tentando ao máximo escapar da nova morada, conforme os dias se passam e a rotina fica mais frequente, ela vai se esquecendo aos pouquinhos de que precisa sair para voltar para casa, pois agora ela já está em casa. 

A autora, de forma habilidosa e harmônica, retrata essa adaptação com maestria. Ela, assim como eu, também é gateira e conta com uma ampla bibliografia sobre gatinhos, os chamados Neko Mangás. É de uma sensibilidade tão grande que me vi muitas vezes lendo e parando a leitura para lembrar de ter passado exatamente pelos mesmos desafios que a família Yamada passou com a adaptação de Chi. 

Falando em família Yamada, os protagonistas humanos da história são divertidíssimos! Enquanto o pai e a mãe se desdobram para dar conta da casa e da rotina, Chi e seu novo irmãozinho, Yohei, descobrem o mundo juntos. Além de ser um mangá sobre gatos é também uma história sobre a infância, com Yohei seguindo também sua rotina e aprendendo diariamente sobre o mundo que o cerca. Outro ponto incrível do mangá, a forma com que a autora conseguiu conciliar e apresentar o crescimento de Yohei e de Chi dentro da narrativa, afinal, para ambos, o mundo ainda é muito novo. 

Para os pais, o desafio é grande, afinal, agora são duas crianças em casa! É bonito ver a relação da gatinha com o pai da família. Remete bastante aos memes de “Não quero animais em casa” – uma semana depois – “Gato dormindo no colo”. Embora Chi tenha um certo receio e uma má associação de experiências com o pai, vê-lo constantemente tentando ganhar o amor da gatinha é muito divertido. 

Outro ponto atenuante é que, infelizmente, a família Yamada mora num complexo residencial onde a tutela de animais é proibida. O que não impede a família Yamada de resgatar e amar Chi, mas tudo precisa ser escondido da zeladora!! E isso rende algumas boas risadas e situações inusitadas que complementam a dose de humor da narrativa. 

Os capítulos episódicos resumem as aventuras de Chi, que vão desde a primeira visita ao veterinário até a primeira vez na caixinha de areia. Tudo é uma grande estreia na vida da gata e da família Yamada e, acompanhar esses episódios, torna a leitura fluida e bem dinâmica, pois embora possua uma linearidade bem definida, podem ser lidos de forma individual. 

Chi’s Sweet Home é um excelente mangá para iniciantes da leitura de histórias em quadrinhos nipônicas. Além de também ser uma fantástica porta de entrada para a leitura infantil. Com poucas falas, arte colorida e uma quadrinização dinâmica e agradável, é uma boa pedida para introduzir a leitura ou trabalhar na alfabetização e letramento. Se eu ainda estivesse nos meus dias de educação infantil, Chi com certeza seria minha companheira nas rodas de leitura. Um mangá gracioso para presentear e presentear-se!

Curiosidade: O mangá de Chi vem com um marcador de páginas anexo na orelha da contra capa. O recorte é opcional (claro) mas olha que lindinho que fica!

E se você, assim como eu, ficou balançado pelo Jazz ao ler o subtítulo dessa resenha, você está ficando velho também! A animação de Aristogatas é de 1970 e a versão em VHS (Com o selo da UBV na lombada e o holograma do Mickey Feiticeiro) é dos anos 90.

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