MB Classic: Golden Boy – Aprender, aprender, aprender

A ideia de aprendizado está presa a um ambiente? A ideia de aprendizado comumente é fixada em ambientes educacionais: ser uma boa pessoa, não ser preguiçoso e buscar um senso inigualável de responsabilidade. E embora todos esses elementos possam ser indispensáveis, também corremos o risco de criar uma sociedade que aceita apenas um padrão de pessoas. Trazendo uma premissa simples, mas competente, Golden Boy dá luz a uma discussão totalmente atual, com o charme que apenas os anos 90 podem trazer.

Golden Boy é uma adaptação animada do mangá de mesmo nome. Seguimos Oe Kintaro, 25 anos, que abandonou o curso de direito da Toudai e pedala sem parar sobre a premissa de viver e aprender.

O caderninho de Kintaro é o melhor item que existe e tem o equilíbrio entre conhecimentos que podem mudar o mundo ou inutilidades aleatórias.

A animação foi lançada no formato OVA, compilando parte da história do mangá em 6 episódios, com uma média de 28/30 minutos. Esse formato encaixou muito bem com a proposta de Golden Boy, a ideia de obter várias experiências é desenvolvida com diferentes ambientes e trabalhos a cada episódio.

Embora possa soar como uma obra cheia de temas filosóficos e boas mensagens, Oe Kintaro é um modelo de personagem que se popularizou nos anos 90, trazendo consigo a ideia dos personagens tarados que ocupavam grande parcela do mangás publicados na época, obviamente suas ações são questionáveis, e talvez seja uma das maiores barreiras na hora de conhecer a série. É válido considerar o contexto de lançamento da obra, mas também é importante ressaltar que o ecchi da série está muito mais focado na comédia (Boa parte dos problemas do coitado seriam resolvidos se não colocassem o mesmo para limpar privadas).

Dias de luta, dias de…..

É possível traçar um paralelo bem legal com Great Teacher Onizuka: o personagem extremamente tarado, com dificuldades de se encaixar nos padrões sociais que lhe é imposto. O fato de que ambos se encaixam nesse padrão não é apenas acaso. Compreender as diversas críticas a uma sociedade baseada em certezas e padrões é totalmente compreensível, construindo uma ponte não apenas entre esses personagens, mas àqueles que buscam o subtexto em obras que podem oferecer mais do que sua proposta oferece.

No quesito animação, a obra entrega bons frames, levando em conta seu ano de produção (1995) e sua proposta. Eu sou apaixonado no traço da época. Parte da minha opinião se baseia no meu gosto pessoal, acredito que o estúdio APPP (Roujin Z e JoJo no Kimyou na Bouken) entregou uma animação competente, mas que sofre por não ter uma versão remasterizada.

Por fim, Golden Boy traz consigo uma experiência narrativa muito interessante. Entre o incômodo nas suas cenas mais eróticas e as boas mensagens que a obra apresenta, somos pegos pelo carisma de seu protagonista e seu forte senso do que seria a vida.

  • O mangá foi publicado entre 1992 e 1997, compilando 10 volumes. Descrito como uma aventura/comédia sexual, foi uma das obras mais influentes de Tatsuya Egawa.
  • A relação entre GTO e Golden Boy não se resume nas semelhanças entre os seus protagonistas: Tohru Fujisawa (autor de GTO) foi assistente de Tatsuya Egawa, segundo este, Fujisawa teria plagiado sua obra Be Free! e utilizado sua premissa em GTO.

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