MB Nacional: Bebês maníacos de Lagoinha

Um padre morto, uma primogênita à caminho e bebês canibais assolam a cidade de Lagoinha no interior de São Paulo. Se depender de Fábio Vermelho, o terror brasileiro não morre tão cedo.

As últimas semanas de 2021 nos agraciaram com mais um ótimo título para o trash nacional, Bebês maníacos de Lagoinha. A HQ apresenta elementos clássicos das histórias de terror contadas por quem faz suas andanças pelas entranhas paulistas.

Fábio vem desenvolvendo uma carreira sólida no underground com o lançamento de obras marcantes e em um curto espaço de tempo. Ainda há pouco sua obra saía pelo periódico Weird Comix, com produção totalmente independente e histórias curtas escritas em inglês.

Nos últimos três anos, tem desenvolvido histórias mais longas ao mesmo tempo que mantém um clima sombrio em HQs em preto e branco. Pela Escória Comix, publicou O Deplorável caso do Dr. Milton (2019) e 400 Morcegos (2020). Na coleção Ugrito, da Ugra Press, Assassino na casa (2019). E, por fim, Eu fui um garoto gorila (2021) pela Veneta, história desenvolvida a partir de um conto publicado anteriormente na Weird. Conta ainda com histórias em diversas coletâneas como Pé de Cabra e Calafrio, sempre com elementos de filmes de terror B e um traço marcante. Fábio é daqueles que você reconhece em cada página que lê.

Em Bebês maníacos de Lagoinha acompanhamos Guilhermina. A jovem acaba de perder seu tio, o padre Arturo, em uma cena macabra onde o religioso foi deglutido por não se sabe o quê. Enquanto pensa no que fazer da vida, agora que não pode mais continuar morando na igreja onde habitava com o tio, Guilhermina auxilia sua amiga Stefanny prestes a ser mãe.

Quando uma misteriosa freira em uma cadeira de rodas e sua acompanhante visitam a igrejinha, Guilhermina fica intrigada com o cartão de Greta Garbo que deixam cair pelo caminho. Ela visita o local com Steffany e descobrem um bar de feitiches e uma clínica clandestina de abortos, onde bebês são vendidos para… deixo para que você descubra os motivos e o que o desejo por uma vida melhor pode causar em algumas pessoas.

A história de Fábio Vermelho não narra apenas um terror B em uma cidadezinha interiorana. Ao mesmo tempo em que resgata elementos presentes na construção oral para desenvolver sua narrativa, identificamos um quadrinho que dialoga com seu tempo.

Encontramos em sua história uma protagonista feminina corajosa, capaz de enfrentar os erros de um parente querido e monstros para salvar uma amiga. O companheirismo é um elemento forte da história e ajuda no desenvolvimento das intérpretes femininas, sempre tão marcantes nas histórias de Fábio.

Vale demais a leitura no domingo à noite.

Leia antes que eu diga “Eu te avisei”.

Pois eu falarei.

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