MB Review: Ousadas

Ousadas – Mulheres que só Fazem o que Querem traz quinze minibiografias de mulheres inspiradoras, que conquistaram o impensável em suas respectivas épocas. Com personagens de diversas nacionalidades, realidades e adversidades, a coletânea foi escrita e ilustrada pela francesa Pénélope Bagieu.

O traço de Bagieu é lindo e agradável aos olhos, aquele que te faz deslizar pela página com fluidez. Até as histórias mais pesadas a autora desenvolve de maneira leve, bem humorada, com toques ácidos e cirurgicamente construídas. São belas cutucadas no (infeliz) machismo-nosso-de-cada-dia.

Dá vontade de contar todas as histórias de tão maravilhosas, que todos e todas deveriam conhecer, mas a leitura perderia a graça. Então listo só algumas: você conhecerá a Annette Kellerman, nadadora e sereia, que questionou as roupas de nado da época (só faltava um saco de batatas na cabeça para cobrir o corpo inteiro) e inventou o maiô. Agnodice, formada em ginecologia na Grécia antiga e que só pôde exercer sua profissão ao se passar por homem. Leymah Gbowee viu a guerra em seu país, a Libéria, teve um casamento abusivo, mas se formou em trabalho social, uniu as mulheres da nação e derrubou o ditador – e ainda teve tempo para ganhar o Nobel da Paz, que tal?. Christine Jangensen foi uma mulher trans e a primeira celebridade nos Estados Unidos conhecida pelo seu processo de transição.

É inacreditável como proibições e privações, hoje absurdas, já tenham sido verdade para nós mulheres por apenas sermos… mulheres. A obra me apresentou diversas personagens que, entre indignação e risadas, no final do livro me fizeram ser grata a elas por contribuírem para os direitos que temos hoje – e certamente ainda temos um longo caminho a percorrer.

Ousadas foi publicada na França em 2016 e chegou ao Brasil em 2018, pela editora Nemo. Há também a parte dois, com mais quinze histórias.

A autora originalmente publicou suas histórias num blog no site do jornal francês Le Monde. Em entrevista ao site estadunidense Frenchly, Pénélope disse que “queria mostrar que há mais mulheres notáveis no mundo além de Joana d’Arc”. Bem, ela conseguiu!

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