MB Review: Um Bairro Distante

Imagine dormir e acordar muitos anos mais novo, mantendo a consciência atual. Quais passos repetiria? Quais respostas buscaria? O que você mudaria em sua vida? Eis a situação de Hiroshi Nakahara em Um Bairro Distante, lançamento da Editora Pipoca & Nanquim, escrito e ilustrado por Jiro Taniguchi. Confira nossa resenha na descrição.

Jiro Taniguchi é um autor peculiar. Seu estilo, seus temas, suas abordagens e até mesmo seu traço têm pouco do que nos habituamos a ver nos mangás tradicionais. Não à toa passou a ser venerado em um mercado como o francês, onde conseguimos mais facilmente apontar conteúdos semelhantes ao seu.

Mas como é um autor prolífico, é bom localizar que Um Bairro Distante (@pipocaenanquim, 2022) está mais próximo de obras como O Homem que Passeia e O Gourmet Solitário do que o outro recente lançamento da Pipoca e Nanquim, As Crônicas da Era do Gelo. Trata-se de uma HQ contemplativa e psicológica, apesar de uma roupagem que versa com a ficção-científica. Explico.

Após uma viagem de negócios, Hiroshi Nakahara (48 anos, casado, com duas filhas) pega o trem errado para voltar para casa e acaba indo parar em Tottori, sua terra natal. Enquanto aguarda um novo trem, aproveita para visitar o túmulo de sua mãe, onde perde a consciência. Ao despertar, está com 14 anos, em pleno início da década de 1960, mas com a cabeça dos seus 48.

Aqui haveria um caminho meio óbvio, levar o protagonista a entender o que se passou e buscar formas de voltar. Mas, pode soar spoiler, se conhece um pouco do Taniguchi, sabe que o personagem vai sim andar por aí não necessariamente em busca de respostas. Afinal, há buracos em sua juventude que nunca solucionou e pode ser que uma paixão com quem nunca havia conversado seja mais distração do que uma recuperação do tempo perdido.

Um Bairro Distante é narrado com maestria, em delicadeza semelhante à de Yasunari Kawabata com seus livros, onde nem sempre haverá grandes acontecimentos, mas ainda assim situações importantes para a trama e que valerá sempre uma nova releitura. E a paciência de quem chegar ao fim será recompensada com uma bela mensagem. 

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