MB Classic: Maison Ikkoku

Todo fã de mangás já ouviu falar de Rumiko Takahashi e conhece a importância dela no universo dos mangás, com suas obras incríveis como Inuyasha, MAO, Ranma ½,  entre tantas outras. Como estamos num MB Classic, vamos relembrar da (talvez) melhor obra dela, mas não tão famosa aqui no Brasil. Falaremos de Maison Ikkoku!

A autora

Rumiko Takahashi é uma mangaká muito ativa. Tem em sua imensa bibliografia mais de trinta obras e a maioria de grande sucesso no Japão. Ela está na ativa desde dos anos 70 e emplacou muitos sucessos desde então. Uma de suas características são obras de comédia/romance/aventura com temas do folclore oriental e também é conhecida pela longevidade de suas obras.

Em Maison Ikkoku, Takahashi fugiu um pouco desse estereótipo pelo qual ela é conhecida. Temos uma história mais real, com uma comédia que esconde diversas críticas sociais, numa obra que cativou tantos jovens como muitos japoneses mais velhos, quebrando diversos recordes e tabus.

Maison Ikkoku fez parte da popularização dos mangás nos anos 80, seguido do que chamamos de Era de Ouro, aonde obras como Dragon Ball, Hokuto no Ken, Jojo, City Hunter estavam aparecendo, saindo da terra do sol nascente e começando a ganhar o mundo.

Sinopse

Yusaku Godai é um típico “Ronin”, um estudante que não passa no vestibular e faz um curso preparatório para prestar o exame no ano seguinte. Sem muito dinheiro, mas uma pessoa persistente e de bom coração, o nosso protagonista mora numa pensão bem humilde chamada Ikkoku, onde seus moradores são bem excêntricos. Yusaku está cansado dessa vida e atribui os maus resultados do vestibular à rotina insana daquela pensão. Ao tentar sair mais uma vez da pensão, ele se depara com a nova gerente, a bela Kyoko Otonashi, por qual o jovem “Ronin” se apaixona à primeira vista. 

Não será nada fácil conquistar a jovem gerente, pois não é só o humilde estudante que se apaixonou por ela. Seu professor de tênis, o rico e galante Shun Mitaka, também está determinado a conquistar o coração de Kyoko.

As obras de Rumiko Takahashi têm como característica serem extensas e se perdem no contexto criado. Por muitas vezes, tiveram um final decepcionante para seus fãs. Por outro lado, a autora é mestre em criar personagens cativantes e exóticos, que se perdem no pequeno caos que ela costuma fazer em suas obras.

Em Maison Ikkoku, Takahashi consegue pegar os pontos positivos de suas características e otimizar de uma forma harmoniosa, quase beirando a perfeição.

Os personagens de Maison são exóticos e muito bem trabalhados, divertidos, e há um tom de dramaticidade no desenvolvimento deles, fato que se aproxima demais das características dos próprios japoneses. Diferente de ver um mundo pós apocalíptico, lendas chinesas ou uma batalha de gerações, em Maison Ikkoku você verá diversos dramas reais contados de forma simples e leve.

Mesmo existindo um triângulo amoroso, há um fator de complexidade que faz você torcer pelo protagonista. Godai é o cara que todos querem ter como amigo, e mesmo irritado por não conseguir seu objetivo é um cara do bem e todos os moradores da pensão sabem disso. A evolução do protagonista em busca dos seus objetivos e de seu amor faz com que todos acabem torcendo para que dê tudo certo, mesmo que aparentemente não dê.

Diferente de Kimagure Orange Road (que já falamos aqui no MB Classic), os personagens não são indecisos. Eles sabem o que querem, com um realismo impressionante. Suas qualidades e defeitos são bem trabalhados e seu desenvolvimento é intenso. Tudo isso misturado com o “caos pastelão” que só a Rumiko Takahashi sabe escrever.

Os personagens de suporte/coadjuvantes são tão bem desenvolvidos quanto os principais, com suas qualidades e defeitos. Cada um tem um drama paralelo que vai se misturando à história principal de forma coesa e harmoniosa

E o final? Vale a pena?

Uma das principais curiosidades sobre Maison Ikkoku é que o Japão “parou” para ver o último episódio do anime. Funcionários foram dispensados mais cedo do serviço para ver a conclusão da série, resultando em 94% das TVs na época sintonizadas no canal Fuji. Sim, Maison Ikkoku foi tão popular quanto Naruto, Shingeki no Kyojin e Demon Slayers, em suas devidas proporções.

Porém, nem tudo são flores. Com uma animação e aberturas extremamente datadas nos anos 80, pode-se perder um pouco da qualidade que o título tem. Outro fator é que a animação é bem extensa para os dias de hoje, desmotivando muitos a dar uma chance ao título.

O mangá é uma opção mais viável para se acompanhar, e mais dinâmica, tendo o mesmo final em ambas, algo que é difícil nas obras da Rumiko, além de ser bem menor em comparação à animação. 

Maison Ikkoku talvez seja a obra mais séria da longa bibliografia de Rumiko Takahashi. Não a de maior sucesso, talvez nem a mais conhecida, mas a que ela mais buscou o realismo, com uma história de enredo simples, mas totalmente cativante e apaixonante.

A obra foi serializada na Big Comic Spirits da Shogakukan, entre 1980 a 1987, totalizando 15 volumes. A edição que veio para o Ocidente é chamada de Perfect Edition e contém 10 volumes (licenciada em diversos países como Itália, EUA, França). A animação foi feita pelo Studio DEEN e foi ao ar com 96 episódios, entre 1986 a 1988, e passou na França, Espanha e teve box nos EUA. Além da animação, há OVA’s (Originais para vídeo doméstico), Movies e Live Actions da série. Infelizmente, nunca apareceu oficialmente no Brasil.

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