MB Literário: Crônicas das Guerras de Lodoss – A Bruxa Cinzenta.

Nos anos 80, um jogo de tabuleiro que usava a imaginação e a interpretação e fazia os jogadores terem uma liberdade jamais vista. Esse é o Role Playing Game ou simplesmente RPG. Esse gênero ganhou popularidade e sua fama atrelada aos videogames, onde franquias como Final Fantasy, Dragon Quest, Phantasy Star e jogos como Persona fazem o gosto dos fãs de games e cultura pop até os dias de hoje.

Mas o RPG nasceu com um sistema de regras e folhas de personagens, onde seus destinos eram decididos através da sorte dos dados e na imaginação do jogador que criava o universo a ser jogado com as regras e o destino dos personagens, chamado também de Mestre. O talento do mestre era atribuído ao quão complexo e envolvente era a aventura que ele criava para os jogadores e a capacidade dele deixar a liberdade dos participantes à mercê dos próprios e saber administrar as jogadas do destino que os dados  proporcionavam aos mesmos.

No RPG você poderia ser um guerreiro errante, um nobre vampiro, um líder lobisomem ou um mercenário cyborg, sistemas como Vampiro a Máscara, Cyberpunk e Gurps faziam a cabeça dos jovens, inclusive um sistema totalmente brasileiro foi criado nos anos 90 para popularizar o gênero com regras mais simples, o 3D&T (Defensores de Tóquio) baseado nos animes dos anos 90.

Minha experiência com os RPG’s surgiu no fim dos anos 90 e foi uma paixão à primeira vista. Ficava a tarde inteira com amigos no colégio jogando sem parar, a diretora da escola era compreensível e deixava usar as dependências do colégio para uma atividade sadia. Então nossas sessões eram sempre cheias e animadas. E em diversos sistemas que tínhamos à disposição um sempre era a preferência de 8 a cada 10 jogadores o Dungeons & Dragons ou o famoso D&D. 

Ao falar de de D&D duas referências vem em mente, as obras de J. R. R. Tolkien ( Hobbit e Senhor dos Anéis) e The Record of Lodoss Wars, é desse livro que iremos falar.

A importância de Lodoss para expansão da cultura pop japonesa é tão representativa quanto os estúdios Ghibli, Katsushiro Otomo com seu Akira e Massamure Shirow com Ghost of the Shell. Os livros de Crônicas das Guerras de Lodoss simplesmente criaram um novo gênero literário que é muito difundido nos dias de hoje, as Fantasy/Light Novels.

O processo utilizado para as série de livros por  Ryo Mizuno, o autor, foram simplesmente a transcrição das aventuras criadas por ele quando “mestrava” os jogos de RPG com seus amigos. Esse grupo era organizado e se chamava SNE. Então as novel tem como sua base a experiência de jogo do grupo SNE.

A transcrição era tão rica em detalhes e com uma narrativa impressionante que chamou a atenção da editora Kadokawa, que decidiu em apostar em um outro produto para fazer frente ao sucesso dos mangás, que tinha ganhado uma popularidade insana nos anos 80, principalmente com as editoras Shueisha e Kodansha. Surgiu em abril de 1988 o primeiro Livro chamado Crônicas da Guerra de Lodoss – A Bruxa Cinzenta.

 A história desse livro foca em Parn, um jovem órfão que vive na cidade de Zaxon, no reino de Alania. Sua mãe teve que se exilar em Alania, após a morte de seu esposo,Tesseus,que  desonrado de seu título de cavaleiro sagrado e que morreu em batalha. Parn trabalhou como mercenário para sobreviver e tem um forte senso de justiça, mesmo sendo inexperiente como guerreiro. Parn tem como melhor amigo Etoh, um clérigo do deus Pharis e ambos decidem partir em uma jornada para evolução, após uma tentativa quase fracassada de defender seu vilarejo de Goblins. Parn e Etoh parte em jornada com o anão Grim, que está em busca de uma jovem desaparecida e com o mago recluso Slayn. No caminho ao desconhecido eles conhecem a elfa Deedlit e o ladino Wood-chuck. Um grupo tão diversificado e reunido ao caso acaba sendo decisivo para o rumo da ilha de Lodoss, que enfrenta uma guerra interna entre o Reino de Marmo e os outros Reinos da ilha, anos após enfrentarem uma terrível ameaça do Rei Demônio.

A narrativa deste primeiro livro é rica, mostrando as principais características do sistema de D&D, com suas raças, magias e monstros, levando a uma aventura épica e de referência ao gênero fantasia medieval, mas em sua metade final é extremamente corrida, mesmo tendo um clímax maravilhoso e um epílogo espetacular que deixa a obra aberta e com um gosto de “quero mais”.

Os personagens não têm camadas de personalidade e não são complexos como em obras atuais, mas são inegavelmente carismáticos e com características bem definidas. Seja vilões ou heróis.

O livro te prende da mesma forma que os livros de Tolkien a esse universo mágico, mas de uma forma mais “digestível” e simples, como se você acompanhasse o jogo como um espectador ou estivesse assistindo a animação. 

Aliás, a animação que saiu oficialmente no Brasil em DVD pela Devir (sim, pela Devir) com os 13 episódios que cobrem os eventos da Bruxa Cinzenta, que saíram em 1990-1991 feitos em formato original para vídeo pelo estúdio MadHouse.

A edição brasileira de “ Crônicas das Guerras de Lodoss – A Bruxa Cinzenta” é bem caprichada com páginas coloridas com apresentação dos protagonistas, um mapa essencial da Ilha de Lodoss e um posfácio bem interessante de Hitoshi Yasuda, presidente do Grupo SNE e co-autor da obra.

Com uma belíssima história e uma importância cultural gigantesca, Crônicas das Guerras de Lodoss- A Bruxa Cinzenta é uma excelente leitura para aqueles que curtem o gênero fantasia, jogos de RPG e games. É uma obra desconhecida para os mais novos, mas tratada com muito carinho e respeito pelos fãs de D&D e fantasia medieval.

Crônicas das Guerras de Lodoss- A Bruxa Cinzenta é um lançamento da editora Newpop de maio de 2021 com 303 páginas. Escrito por Ryo Mizuno, Hiroshi Yasuda e Grupo SNE com arte de Yutaka Izubuchi. Primeiro livro de uma série de sete.

Agradecemos a loja Anime Hunter pela gentileza do exemplar: Segue o site da mesma para aquisição do livro e de outros produtos ligado a cultura pop japonesa: 

www.animehunter.com.br

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