MB Games: Danganronpa V3: Killing Harmony

Fechando a trilogia do Urso Genocida mais conhecido da cultura pop, em Janeiro de 2017, a Spike Chunsoft lança Danganronpa V3: Killing Harmony e assim aumenta ainda mais a popularidade de sua marca. Atualmente, seus três jogos mais o spin-off, Danganronpa Another Episode: Ultra Despair Girls, somam mais de 3,5 milhões de cópias vendidas.

E, assim como V3 fecha a trilogia, fechamos aqui a nossa análise sobre os jogos dela também.

Antes de tudo, apenas para relembrar: eu sou uma pessoa que detesta spoilers, então evito colocá-los nas resenhas. Além disso, sou a pessoa que acredita que até sinopses são spoilers. Para mim, é interessante entrar em um jogo sem saber nada sobre ele.

Se você é como eu, a resenha curta se encontra aqui:

V3 é o jogo mais controverso da franquia, pelo que se pesquisa. Enquanto muitos amam, muitos também o odeiam e isso se deve principalmente ao final e aos personagens serem mais caricatos que seus antecessores, mesmo que  ainda sejam realistas. A fórmula base se mantém, os personagens estão em sua melhor forma, tanto em design quanto em personalidade, e todos os crimes são muito bem pensados.

Agora, se quiser saber mais sobre, fica a vontade pra ler o que virá a seguir:

Sinopse

“Um novo elenco de 16 personagens é aprisionado em uma escola. Lá, alguns matarão, alguns morrerão e alguns serão punidos. Reimagine o que você pensava que a investigação de ritmo acelerado e alto risco era enquanto investiga casos de assassinatos perversos e condena seus novos amigos à morte.”

O que tem de novo na história, então?

Se formos comparar a fórmula padrão dos jogos anteriores, não muda muita coisa na verdade.

A história do 3, na minha opinião, é a melhor desenvolvida e consegue dar dicas sobre todos os casos desde o começo. E, se os personagens em Danganronpa 2 eram melhores, aqui são o ápice que a franquia poderia chegar. Não há um personagem sobrando. Todos eles têm sua importância, sua relevância e seu desenvolvimento à medida que vamos jogando.

Pela primeira vez, não temos O Sortudo Supremo e você, enquanto protagonista, também tem um talento supremo que conhece desde o começo.

Além disso, V3 tem o melhor início de todos os 3 jogos, sendo algo dinâmico, intenso e que já deixa no ar diversos mistérios, sendo que alguns só vão se resolver no final do jogo.

Tudo o que já foi reclamado sobre não plantar informações para colher futuramente, foi consertado desde o início aqui.

E essa sensação de novidade se mantém até o final do primeiro capítulo, em que você é pego com tudo o que esse jogo tem a oferecer de novo, mesmo que ele recicle fórmula dos outros dois.

Inclusive, em várias outras resenhas, é possível ver que pessoas se decepcionaram com o restante do jogo depois de  aumentarem as expectativas  com o primeiro caso, que é incrível mesmo. Não foi o que aconteceu comigo, apesar de eu entender a sensação.

Um ponto que é preciso mencionar é como eles aprofundaram ainda mais a minha parte preferida do 2: a metalinguagem dentro de toda a história é feita de tantas formas criativas e únicas, chegando inclusive a nos dar pistas sobre um acontecimento sem falar nada.

Mesmo sendo controverso, V3 é facilmente um mestre em utilizar a metalinguagem para seu propósito narrativo, sabendo das expectativas dos jogadores enquanto fãs de Danganronpa e criando reviravoltas que, em sua maioria, são bem coerentes com o resto.

Design, Personagens e Design de Som

Apesar de ser o meu favorito da trilogia, esse foi o jogo que eu menos gostei dos designers em geral. Não entenda errado, todos estão muito bonitos, mas não senti que eles sejam tão icônicos quanto os demais.

Novamente, todos os personagens são incríveis e V3 tem a melhor protagonista da franquia, na minha opinião. Porém, infelizmente, existem alguns trejeitos referentes a vários personagens que acabam sendo forçados no começo.

Seja Miu Iruma, A Inventora Suprema, xingando e falando um monte de besteira ao mesmo tempo em que quase tem um orgasmo sempre que alguém fala algo que pode ser uma insinuação sexual; seja Angie Yonaga, A Mestre de Aikido Suprema, falando constantemente que os personagens masculinos são “Machos Degenerados” ou Keebo, O Robô Supremo, não tendo praticamente nenhuma fala, além de dizer que ter suposições em cima dele apenas pelo fato dele ser robô é robofobia (Realmente era, pegavam pesado com ele, mas também dava pra personalidade dele ser mais do que isso).

No fim do jogo, é possível entender o porquê isso foi feito, mas para mim, mesmo com essa justificativa, que é válida, se polissem um pouquinho mais e diminuíssem esse exagero em bordões, seria melhor.

A surpresa do jogo são os Monokubs, 5 Ursos, filhos do Monokuma, cada um com sua própria personalidade, que ajudam seu pai a prender todos os alunos naquela escola.

Jogabilidade

A estrutura é a mesma: seis capítulos que podem somar umas 40h de jogo, fazendo com que este seja o mais longo da franquia.

Você está em uma escola. Vai acessando as salas conforme o tempo passa, conversando com seus colegas de sala, conhecendo novas áreas… Fazendo de tudo, exceto estudar. Sempre que um julgamento ocorre, novas áreas são liberadas, e aqui  existem algumas áreas que são chamadas de Laboratórios.

Cada um dos Supremos possui um Laboratório para chamar de seu, onde ele pode encontrar diversas coisas relacionadas ao seu talento. Por exemplo, a personagem Kaede Akamatsu, a Pianista Suprema, possui um laboratório que é uma sala repleta de partituras e CDs, além de um longo piano de cauda.

Julgamento

Aqui houve uma alteração gigantesca, principalmente visual. A base do Julgamento ainda funciona da mesma forma. Você junta pistas, investiga, suas pistas se tornam balas para você carregar seu revólver e disparar nos pontos fracos dos argumentos.

Porém, aqui eles levaram a outro nível, fazendo com que estes fossem os meus tipos de julgamentos favoritos.

Começando pela parte visual, em que as palavras se movimentam mostrando o que está sendo dito. Então, quando é dito “o culpado foi protegido”, por exemplo, a palavra “Protegido” visualmente protege “o Culpado” de levar um tiro, o que trabalha novamente com metalinguagem, que já comentamos na última review.

Além disso, as frases agora são apresentadas conforme a pessoa que está dizendo-as. Se quem diz a frase é Angie Yonaga, a artista que comentamos que tem uma fortíssima espiritualidade, suas frases terão um estilo específico, voltado para o sagrado. 

Além do debate contínuo, temos agora mais dois tipos de debates. O primeiro deles é Debate em Massa (no original, Mass Panic Debate), em que três pessoas estão falando ao mesmo tempo e você deve prestar atenção em todos os argumentos e perceber qual é o ponto fraco geral. O outro, que sinceramente é o meu favorito, é o Debate Tumultuado (no original, Debate Scrum). Em um determinado ponto do jogo, todos os personagens discordam e tomam lados opostos. Então, começa um show de réplicas atrás de réplicas em que você tem que prestar atenção no que o outro lado está dizendo e ajustar as falas do seu lado para criar uma narrativa coerente ao mesmo tempo em que rebate todos os argumentos.

Além disso, também foram adicionadas melhorias do jogo da Forca e do Confronto de Réplicas; O Mergulho Lógico (Logic Dive) foi alterado para um jogo de corrida chamado Mergulho no Taxi da Psiquê (Psyche Taxi Dive) que se tornou um jogo de carro, mas com o mesmo propósito de seu antecessor, e um outro jogo chamado Mina Mental (no original, Mind Mine) que você precisa destruir blocos para encontrar a imagem de uma resposta.

Como se essas novidades não fossem o bastante, também foi acrescentado um novo tipo de pista: quando você segura o botão de disparo da arma, a tela fica em negativo e você pode disparar uma mentira para convencer os outros. É o chamado Perjúrio (e não me culpem, o nome em juridiquês é esse mesmo).

Inclusive, graças a esses perjúrios, existem as chamadas rotas alternativas, quando você mente em um argumento para poder continuar a discussão, quando o esperado seria você rebater com um argumento sincero..

Apesar de serem novidades, ao invés de as utilizarem de forma moderada, colocando algumas em alguns julgamentos e outras em outros, infelizmente, todos os julgamentos têm esses itens.

Então, ao invés de ter um arsenal de opções, você sabe que em todo julgamento vai ter um momento em que todo mundo se divide, vai ter um momento em que você precisa mentir, vai ter um momento que em você precisa dirigir um táxi, um momento de força… o que torna todos os Julgamentos muito longos e, consequentemente, com partes mais arrastadas.

Somando isso ao fato de que o Argumento Final, mostra toda a síntese do caso, sendo que os itens foram passados e repassados algumas vezes durante o julgamento, eles podem acabar sendo mais cansativos, do mesmo jeito que os do segundo jogo.

Como tem um intervalo no meio do julgamento, não se culpe por ir tomar uma água ou assistir algo pra relaxar a mente e depois voltar.

Por que é tão controverso?

A falta de relação com os jogos anteriores é algo que chamou bastante a atenção: Enquanto o arco da Academia Auge da Esperança se encerrou no anime, este jogo não tem praticamente conexão alguma com seus antecessores. Exceto pelo final.

E, por falar nele, o final de Danganronpa V3 é um caso muito claro de “Ame ou Odeie”. Tem motivos lógicos para se amar, assim como tem para se odiar. Existem argumentos que conseguem embasar ambas as opiniões e são muito válidos.

Além disso, os personagens novos são bem mais caricatos do que seus antecessores, assim como seus talentos não são tão críveis. Por exemplo, em Danganronpa 1, temos Yasuhiro Hagakure, o Clarividente Supremo que afirma acertar pelo menos 30% de suas previsões. Por mais que discutamos que 30% é um número baixo para alguém ser chamado de Supremo, é uma estatística aceitável.

Enquanto isso, em V3, temos Kokichi Oma, o Líder Supremo Absoluto, e não há suspensão de descrença neste mundo que me faça acreditar que um garoto com menos de 18 anos tenha esse título.

Com isso, muitos dos personagens acabam tendo o mesmo gosto do final de Danganronpa 2, aquela sensação de “isso é irreal demais, até pra esse jogo”.

Claro, com o tempo começamos a gostar dos personagens, a nos afeiçoar por eles e a fazer o DateSim habitual com cada um, como de costume em cada um dos outros três jogos e no final, tudo isso faz bastante sentido.

De qualquer forma, é um consenso geral: Danganronpa teve um encerramento real em V3: Killing Harmony.

Considerações Finais

Danganronpa V3: Killing Harmony é um jogo polêmico. Tem uma abertura maravilhosa, mas não consegue manter esse nível depois. Ainda assim, é um jogo fantástico e um encerramento para a trilogia com o Urso Encapetado mais querido da cultura pop.

Recomendo que jogue sim, para tirar suas próprias conclusões sobre o jogo, e descobrir se o final foi algo genial ou algo que destruiu completamente a franquia. Eu particularmente, tomo partido do primeiro lado.

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