MB Movies: Jeans Blues – No Future

Em Jeans Blues: No Future a dupla Meiko Kaji e Tsunehiko Watase, que já haviam trabalhados juntos em Wandering Ginza Buttlerfly de 72, retornam nesse longa de Sadao Nakajima, veterano diretor de filmes de Yakuza e Jidaigeki (dramas de época), para um eletrizante Thriller sobre dois jovens desajustados que tem o caminho ligado pelo destino e acabam embarcando numa jornada de roubos a lá Bonnie & Clyde, mas com o toque oriental do cinema oriental setentista!

Jeans Blue: No Future é um dos filmes menos conhecidos do gênero Pinky Violence e da carreira da estrela Meiko Kaji, assim como é o filme que a atriz menos gosta de sua filmografia conforme conta no livro “Outlaw Masters of Japanese Film”, de Chris Desjardins. Mesmo assim, de forma alguma, é um longa dispensável ou que não se encaixe no gênero Pinky Violence, então, não se enganem, pois o filme tem uma violência acima da média (assim como cenas eróticas, que é algo comum do gênero Pinky Violence) e consegue entreter do começo ao fim! 

Na trama, temos dois criminosos em fuga. Hijiriko (interpretada por Meiko Kaji) que foge do bar em que trabalha com o dinheiro do caixa e um carro roubado. Do outro lado, temos Jiro Katagiri (interpretado por Tsunehiko Watase), um jovem rapaz que acaba levando consigo todos os ganhos ilícitos dos seus parceiros da máfia. Os dois jovens desajustados  encontram-se sem querer após um acidente de carro e logo caem na estrada juntos. Porém, não demora muito para que a polícia investigue seus crimes, e, obviamente, os mafiosos que também estão na cola deles, para recuperar o dinheiro ilícito que Jiro levou.

Inspirado no casal Bonnie & Clyde, os criminosos norte-americanos que viajava pela região central dos Estados Unidos da América entre os anos 1930 e 1934, o senhor Sadao Nakajima coloca seu próprio estilo e visão para contar uma história dos jovens criminosos que se distancia em diversos pontos do famoso casal Norte-Americano da década de 30. Habilmente, o diretor dá ao filme um ritmo frenético, que é mantido do início ao fim.

O longa começa com uma belíssima versão acústica de Jeans Blues, cantada pela própria atriz/cantora Meiko Kaji. Praticamente em seguida temos uma esplendorosa cena que mostra dois lugares distintos, primeiramente com a senhorita Hijiriko que está entediada no bar que trabalha enquanto mexe com um revólver, e já na cena seguinte temos o jovem Jiro Katagiri assistindo de perto seus companheiros de máfia cometendo uma execução de um homem que não pagou suas dívidas com a Yakuza. Toda a cena é extremamente violenta e visceral, com o uso de câmera lenta e embalado por sons de guitarras e bateria, o diretor já chega com os dois pés na porta mostrando para o que veio.

Sobre a trilha sonora, a música do filme é extremamente importante e dita todo o tom do mesmo. O compositor Katsuo Inoue consegue transitar em certos estilos musicais que combinam perfeitamente com cada momento do filme, fazendo da trilha o grande coração do filme e, sem ela, não seria o mesmo. Falando em coração do filme, esse longa não seria o mesmo sem Meiko Kaji e Tsunehiko Watase, que são extremamente cativantes, principalmente a senhorita Kaji, que interpreta uma fora da lei bem misteriosa e ao mesmo tempo muito interessante, toda vez que ela abre a boca o expectador fica atento em cada uma de suas palavras.

A relação amorosa desses dois personagens é o ponto alto do filme, assim como a trilha sonora, com o destaque para duas cenas: a primeira vez que eles se abraçam, que ocorre numas das partes mais emocionantes e tocante do filme, onde a resposta da Hijiriko para o Jiro tira do expectador um belo sorriso e aquece nossos corações, é impossível não sentir nada com essa cena. Outro momento que vale ser mencionado é quando os dois personagens estão fazendo planos com o dinheiro roubado, aqui ocorre uma cena romântica que conta com um enquadramento lindíssimo dos dois deitados sob o dinheiro enquanto trocam gestos afetivos entre si, um momento tão lindo e bem dirigido que daria fácil um quadro.

O ponto baixo de Jeans Blues: No Future está em seus momentos de soft porn (cenas eróticas que são mais suaves, sem sexo explícito), desconfortáveis e que não agrega em nada a trama. O roteiro ainda tenta “justificar” a obsessão do chefe da gangue por seios, mas a explicação é bem besta e desnecessária. Porém, tais momentos, que são bem curtos, não comprometem e de forma alguma tiram o brilho de Jeans Blues: No Future, que mais acerta do que erra.

No geral, Jeans Blues: No Future apesar de ser um filme obscuro e não ter recebido o seu reconhecimento merecido, é um excelente filme do gênero que traz o senhor Watase e a senhorita Kaji em pleno domínio de suas atuações, numa cativante e emocionante história de amor de dois jovens que vivem à margem da lei, uma química apaixonante entre os dois e que certamente fará você torcer pela felicidade deles.

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