MB Review: Dorohedoro

Em Dorohedoro, acompanhamos a história de Caiman, um humano que teve sua cabeça transformada em réptil por um feiticeiro. Ele parte em busca de respostas junto com sua amiga Nikaido, para recuperar suas memórias e sobreviver nesse mundo estranho e violento.

A obra foi escrita e ilustrada pela mangaká Q Hayashida, sendo serializada primeiro na revista seinen Monthly Ikki, da Shogakukan, desde 2000. Após a editora fechar as portas, em 2014, a série foi transferida para a revista Hibana, em 2015. No entanto, dois anos depois essa editora também acabou encerrando as atividades, e a série então foi transferida para a revista Monthly Shonen Sunday, em novembro de 2017, sendo finalmente finalizado em setembro de 2018, com o total de 23 volumes.

A obra

Nesse primeiro volume de Dorohedoro já somos apresentados ao mundo que o Caiman vive e a praticamente todos os personagens principais da trama, além de conhecer seus poderes mágicos. Falando em personagens, pra mim, Dorohedoro tem facilmente a melhor quantidade de personagens carismáticos e com design interessantes (contando apenas obras que foram criadas no ano de 2000). É quase impossível não simpatizar-se com praticamente todos os personagens do mangá.

Além dos personagens, o que mais me chama atenção na obra é a arte “suja” e visceral da autora Q Hayashida, que habilmente sabe fazer ótimas páginas com sensação de movimento e com extrema violência, desde amputações de membros até uma cabeça aberta com o cérebro à mostra. Para os apreciadores de um gore bem feito, Dorohedoro é um prato cheio, inclusive nos volumes seguintes teremos até mais disso, com cenas extremamente brutais e ainda mais criativas.

Apesar de toda parte séria e pesada em Dorohedoro ainda temos espaço para cenas pontuais de humor, variando entre um humor mais leve e chegando até ao humor negro, que é utilizado nos momentos certos e não chega a destoar com o conteúdo apresentado.

Edição Física

Infelizmente a edição da Panini deixa um pouco a desejar por conta da escolha do papel utilizado no material, o já conhecido Offwhite 90g. Devido ao forte uso de nanquim na arte da autora, esse tipo de papel não favorece muito os quadros e certas páginas ficaram bem escuras, o que na minha opinião estraga um pouco da experiência do leitor e apreciação da bela arte da autora.

Outro ponto bem comentado nas redes sociais foi a fonte/logo do nome da obra. Em mãos, eu achei bem menos feia do que em fotos, porém ainda está longe de ser uma boa fonte, acho uma pena não terem seguidos próximo dos moldes da editora Ivrea ou da Viz.

Apesar da pisada na bola da Panini na escolha do papel (que acredito que muitos não devem se importar), Dorohedoro é extremamente recomendável para os fãs de histórias mais maduras ambientado em mundos distópicos e por conteúdos que possui alto nível de violência gráfica. Além de que, se você curtiu a adaptação de 2020 do estúdio Mappa, essa é uma compra mais que obrigatória!

Curiosidade!

No capítulo 4 temos uma referência a banda Slipknot. No quarto da Nikaido tem um pôster do vocalista Corey Taylor com sua máscara e cabelos Dreadlocks, visual presente no segundo álbum de estúdio da banda (Iowa). As referências a banda não terminam nesse volume, inclusive para aqueles que só assistiram ao anime deve ter percebido que, no episódio sete, durante uma partida de beisebol, temos uma rápida cena que mostra quatro corpos empalados, dois deles correspondem ao vocalista Corey Taylor e o sampler e tecladista da banda, Craig Jones.

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