MB Review: K-ON! – Juventude e Música

Eu particularmente sou amante de comédias simplórias. Acho que não tem nada melhor do que após um dia cansativo de trabalho, você sentar e ler uma historinha divertida sem grandes propósitos (assim como nossa existência… sim, a vida é triste) e recentemente eu fui agraciado com o mangá “K-ON!”. Já conhecia a história, por alguns trechos da adaptação em anime, mas nunca cheguei de fato a ler, e bem, após eu praticamente “devorar” quase toda a série, acho que teremos bastante o que falar hoje.

“K-ON!” É um mangá 4-Koma (tirinhas de 4 quadrinhos) com uma temática slice of life, escrito e ilustrado por Kakifly e completo em 4 volumes e com dois Spin-off. No Brasil, a série foi lançada pela editora NewPop.

Tendo por foco narrativo o clube de música de um colégio, o qual está prestes a fechar as portas por falta de integrantes, e a única saída é completar a cota de matrículas é colocando Yui Hirasawa como guitarrista. O problema é que a garota nunca tocou numa guitarra na vida! Junto com a baixista Mio Akiyama, a baterista Ritsu Tainaka e a tecladista Tsumugi Kotobuki, Yui vai aprender os desafios de ser uma grande estrela da música ao mesmo tempo em que precisa estudar para as provas.

– A história

Como costumo comentar em minhas reviews, não espere nada tão mirabolante dessas comédias slice of life, e a graça está justamente nisso. Em K-ON!, por exemplo, são simplesmente garotas fofinhas fazendo coisas fofinhas e se metendo em confusões engraçadas e fofinhas. E é isso. Mas isso faz a obra ser menos importante ou boba demais? Claro que não! Ela consegue, muito bem, divertir e fazer desse intuito simples algo gostoso de se acompanhar. Numa narrativa que se passa no colegial, a obra consegue entregar boas piadas, ainda mais em uma ambientação que já está tão saturada nas comédias (salvo “Quem é Sakamoto”).

Além disso, a obra esbanja – como dito acima – de conteúdo “Moe” ( 萌え), gíria que originalmente refere-se a um interesse em particular para personagens ou ações descritas como “fofas” ou “adoráveis”. A gíria teve sua origem possivelmente em 1980, no Japão, através das mídias japonesas. A palavra se popularizou junto com termo “Kawaii”, expressões e gestos que acabaram tornando-se um grande contribuinte para economia japonesa, e logo tomou conta nos diversos meios de entretenimento, não sendo diferente nos mangás.

Muitas vezes uma válvula de escape, devido ao grande esforço e pressão social sofrida pela população nipônica, obras mais leves ganharam espaço após a crise financeira, o que facilitava e servia como um anti-estresse para aliviar a rotina que os japoneses viviam.

– A música

Algo interessante na trama é que, apesar do seu foco principal ser a comédia, a música é inserida de forma bem completa e de maneira inteligente. Assuntos como partituras, instrumentos e as relações da música com as meninas são muitas vezes, apesar do tom cômico, tratados de maneira séria, o que é interessante, afinal são jovens descobrindo um novo hobby e um propósito para a existência delas em meio a toda pressão estudantil, o que gera de forma gloriosa ótimos momentos de alívio.

– Vale a pena?

Caso você esteja saturado do foco principal que o mercado nacional de mangás vem aderindo (nada contra os Shōnens), essa vai ser uma ótima pedida pra você. “K-ON!” consegue entregar, de maneira simples, momentos divertidos e encantadores, ainda mais se você gostar de música, a obra vai te agradar bastante. O mangá tem uma carga misteriosa e nostálgica sobre tempos de colégios, que trazem aquela sensação gostosinha de calmaria, o que é uma ótima pedida após um dia cansativo de trabalho e de cobranças que o modelo de capital nos presenteia. Com toda certeza, vale a leitura.

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