MB Explica: Demografias nos mangás

Uma dúvida bem comum quando começamos a ler mangás ou até mesmo assistir animes é: O que são demografias? E o que as difere de gêneros? Bom, a MB está aqui pra responder!

Vamos começar com demografias, o que são?

Primeiro, precisamos entender a produção japonesa. No Japão, a grande maioria dos mangás é publicada em revistas que juntam vários títulos. Então, na mesma revista, tem o capítulo 100 do título A, o capítulo 240 do título B e o capítulo 1 do título C. Depois que o mangá tem uma quantidade boa de capítulos, eles são encadernados nos volumes que conhecemos aqui.

Mas, como uma revista é um produto, ele precisa de uma classificação indicativa, certo? E um público alvo pensado, não é? É aí que entram essas classificações que falamos acima, as chamadas Demografias.

A demografia fala justamente do público-alvo da revista. Importante frisar que ela não limita os leitores apenas àquele público e nós recomendamos que você experimente outras histórias, além daquelas que estão classificadas para seu gênero e sua faixa etária.

As quatro principais categorias são: Shounen, Shoujo, Seinen, Josei

Shounen (少年)

A palavra significa garoto e são histórias que tem como alvo o público masculino de 12 a 18 anos. É a demografia mais conhecida, geralmente lembrada por ter muitas cenas de luta, heróis ou coisas relacionadas a poder.

As revistas mais conhecidas dessa demografia são a Weekly Shonen Jump e a Weekly Shonen Maganize.

Shōjo (少女漫画)

O Shoujo é a contraparte do Shonen. Enquanto Shonen é voltado a garotos entre 12 a 18 anos, a demografia shoujo se volta para o público feminino nesta mesma faixa etária.  Se formos pensar nas histórias mais clássicas shoujo, elas são lembradas por desenvolvimento de relações humanas e romance. Mas não é limitado apenas a isso, visto que romance é um gênero, ponto que abordaremos com detalhes numa próxima postagem.

As revistas mais conhecidas dessa demografia são a Hana to Yume, a Ribon e a Bessatsu Margaret.

Seinen (青年)

O Seinen é a demografia “irmã mais velha” do Shonen. As histórias dessa revista têm como público alvo a população masculina acima de 18 anos. Isso não significa que a história terá questões eróticas por ser +18, mas que provavelmente tratará de temas mais sérios ou com críticas mais pesadas.

As revistas mais conhecidas dessa demografia são a Weekly Young Jump e a Weekly Young Magazine.

Josei (女性)

Já os mangás Josei são aqueles classificados para mulheres acima de 18 anos. Como já comentamos, os mangás dessa categoria, assim como os das demais, podem abordar quaisquer temas dentro de alguns limites, mas esta demografia, assim como Shoujo, é conhecida por focar em relações humanas, de uma forma bem mais séria e puxando até mesmo críticas sociais.

As revistas mais conhecidas dessa demografia são a Petit Comic, a You, a Kiss e a Cocohana.

Exceções

Claro que mesmo assim não seria tudo tão preto no branco, né? Então existem alguns casos que geram debates.

Existem algumas revistas com mangás voltados ao público infantil, os chamados Kodomos. Porém, a JMPA, que é uma associação de 95 editoras japonesas, e que uma das funções é justamente catalogar isso, não parece ter um consenso. Apenas 3 editoras trabalham com essa divisão de público alvo, e mesmo dentro dessas revistas, a maioria do conteúdo é voltado a atividades, jogos e curiosidades, como se fosse a “revista Recreio”.

Além disso, temos casos como a revista Cookie que, apesar de se considerar e se chamar de revista Shoujo, em documentos da editora, mostrou que seu público alvo são mulheres entre 20 a 40 anos, o que a categorizaria como Josei. Na dúvida, muitos chamam a Cookie de uma revista Shojo-Josei.

(Esse é o mídia kit da JMPA pra anunciantes)

Ainda dentro das questões que geram debates, entrando agora em um mais complicado, temos as categorias de BL e GL (Boy’s Love e Girl’s Love), que são histórias com romances, ou intenções românticas, entre homens ou mulheres, respectivamente.

Apesar desta categoria não indicar um público alvo, mas sim uma temática, existem no Japão revistas voltadas apenas a este tipo de mangá. Ao mesmo tempo, diversas histórias categorizadas como Boys Love aparecem em revistas Shoujo, assim como diversas histórias que possuem romance homoafetivo não são categorizadas como BLs, como é o caso de Banana Fish.

E no Brasil? Como estamos?

Falando no nosso país, temos uma esmagadora maioria de títulos shonen e seinen sendo publicados aqui.

Em 2020, foram publicados 440 mangás aqui no Brasil no total de volumes. Destes, apenas 23 foram shoujos e 4 eram Joseis. Os Shonens dominam a vasta maioria do mercado com 241 títulos lançados no ano passado.

Atualmente, a JBC tem sido a que mais tem mangás Shoujo em seu catálogo, mas mesmo assim são apenas 4. Os já em publicação Sakura Card Captors: Clear Arc e Fruits Basket, e os anúncios feitos A Princesa e o Cavaleiro e Sailor Moon.

A editora Panini representa os únicos mangás Josei em publicação atualmente, com Wotakoi e Paradise Kiss.

Então, agora que a questão ficou um pouco mais clara, não se confundam. Se quer saber a demografia de um mangá, é só olhar a revista que ele foi publicado e se basear nisso. Se a revista é Josei, o mangá também é. Se a revista é Shounen, o mangá também é.

E vamos aproveitar esse momento para expandirmos um pouco as demografias que lemos, até para que as editoras possam ser mais inclusivas com Shoujos e Joseis aqui no Brasil.

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