MB Animações: Kimi no Suizou wo Tabetai – Eu quero comer o seu pâncreas

Resumo

Haruki Shiga acaba encontrando um livro na sala de espera de um hospital, e pela curiosidade, começa a ler, percebendo que o livro na verdade é o diário de alguém. Esse diário é de Sakura Yamauchi, uma colega de sua classe, que encontra ele lendo seu diário neste mesmo local. Ela então resolve revelar um segredo que ninguém de sua classe ou amigos sabia, algo que apenas a família tinha conhecimento, que é o fato de estar com uma doença pancreática terminal. Devido a reação dele ter sido muito relativa e incomum, ao que se espera nessa situação, ela se espanta e fica curiosa sobre, decidindo ir atrás dessa pessoa pra saber como ela é, quem ela é.

“Você não tem amigos? Se quiser, eu posso passar o resto da minha vida saindo com você.”

Kimi no Suizou wo Tabetai, ou no título para o nosso português Eu quero comer o seu pâncreas, é um filme de animação do gênero drama romântico, que é adaptado de uma novel homônima escrita por Yoru Sumino. O filme animado foi produzido pelo Studio VOLN, um estúdio relativamente novo na indústria de animações japonesas, tendo a sua direção, o primeiro trabalho de Shinichiro Ushijima como diretor principal de animação. O filme estreou nos cinemas japoneses em 1 de setembro de 2018.

Obs: Não posso esquecer de avisar que inevitavelmente irá ter algum spoiler do filme.

Clichês e seus estereótipos: Ainda funciona nesse tipo de história?

Poderíamos não estar falando sobre toda a boa recepção que esse filme teve, pois Kimi no Suizou wo Tabetai existe numa área atualmente dominada pelo já renomado Makoto Shinkai e seus filmes de gênero parecido (Your Name, Tenki no Ko, Kotonoha no Niwa). Não que os filmes super populares de Shinkai proíbam quaisquer outras produções românticas de existir, mas o cacife de expectativas nesse tipo de história aparenta estar alto. Não foi obstáculo para Kimi no Suizou, já que o filme alcançou recordes de bilheteria no cinema japonês, sendo um real acerto de produção. Mesmo talvez não sendo um filme extremamente “fantástico” na  direção, nem possuindo uma animação super detalhista ou exuberante como a de Your Name, é um filme que surpreende com a alta e intensa autenticidade, tornando-o assim, fantástico a sua forma.

É fato que o tipo de história como a do filme, devido a sua própria premissa, possui clichês e estereótipos de personagens bem conhecidos: a(o) personagem que sofre com uma doença incurável ou algum acidente; o “par” romântico, ou não, que vai mudando por conta dessa pessoa; o sentimento de não querer perder essa pessoa, etc. Seja em filmes hollywoodianos (A Culpa é das Estrelas, Um Amor para Recordar) ou também em animes (Your Lie in April, Hotarubi no Mori e) são histórias que possuem os mesmos clichês característicos ou estereótipos de personagens.

“Isso é um problema?”

Absolutamente não! Nem sequer é ruim, a menos que não sejam bem aplicados no que a narrativa deseja contar. Kimi no Suizou consegue escapar bem disso por meio das boas interações entre seus personagens e por utilizar bem até do próprio clichê específico relacionado a personagem Sakura, trazendo um plot bem inesperadamente diferente. 

Embora confesso estar um pouco saturado com um estereótipo específico de personagem que é bem comum em animes, que é aquele sempre muito retraído, “problemático” em socializar, e que só começa a mudar quando ele encontra alguém que extremamente solicito que o ajuda, sendo a pessoa que sempre que irá incentivar a mudança, o par romântico. Esse é o estereótipo do protagonista de Kimi no Suizou, não dizendo que eu desaprovo ou ache que não funciona (aliás, é o tipo que facilmente me identifico). Mas minha saturação é por conta da distorcida idealização que muitos exemplos apresentam ao espectador em relação à realidade, se observar e comparar situações. Na trama dessa história e no desenvolvimento desse protagonista, no geral, o estereótipo dele funciona e está bem integrado. O intuído é que ele e a Sakura, seja pelo significado de seus nomes ou pelo acaso do destino, se encontrem e que irão se aproximar. 

É cansaço apenas, galera.

Aliás, a mudança e o amor, também são encontradas no acaso.

Árvore da primavera e flor de cerejeira: Eu quero comer o seu pâncreas

A dinâmica de Kimi no Suizou compõe bem a ideia da atração de opostos e as várias nuances dramáticas que estão em contato direto com o inesperado. Para pessoas que adoram esse tipo de história, tendo ainda alguns desses elementos que flutuam entre o drama e o romance, é algo que fica realmente emocionante, idealizado e satisfatório de acompanhar. E quando existe uma relação disso tudo com elementos simbólicos, traz mais destaque no significado do envolvimento de personagens, seja relacionado ao tempo, uma frase, ou pela representação de estações.

Ao que aparenta, o personagem, retraído em seu mundo e deslocado de interações com outras pessoas, nunca esperava alguém que aceitasse o seu jeito e que mudaria a si, numa transição a cada dia compartilhada. A garota animada, que vivia intensamente um dia de cada vez, angustiada pelas incertezas de sua doença e aquilo que ela poderia causar, não imaginava encontrar alguém que fosse trazer uma normalidade para os seus sentimentos, tornando cada momento único.

Assim como a árvore de primavera (Haruki) e as flores de cerejeira (Sakura) se complementam, os dois representavam totalmente isso. Ter alguém que dedique uma frase que demonstra um importar, mesmo que seja meramente imaginativo, a esperança de poder salvar alguém com uma doença terminal no pâncreas. Eu quero comer o seu pâncreas é dito, e foi recíproco, tanto entre Haruki e Sakura, como nos olhos do espectador entre a história.

Animação

Kimi no Suizou wo Tabetai como tinha dito bem acima, não é um filme super fantástico em relação a parte de animação ou direção. Talvez isso até contribua para que entregue uma história bem confortável, linda e inesperada de assistir. Com cenas simbólicas que tornam significativas as emoções sentidas, acompanhadas de uma tonalidade que me agrada bastante. O design de personagens é protocolar, uniformes com a história, simples, mas funcionais. Tem uma trilha sonora bem meiga, incluindo os temas tanto de abertura quanto encerramento, que estão em sintonia com a história do filme, tendo destaque as ótimas interpretações da banda Sumika.

O filme é muito agradável, emociona e tem a sua autenticidade. É uma investida para quem adora ou deseja conhecer diferentes histórias do gênero. 

Boas festas a todos, e que venha um agradável ano de 2022 para todos nós.

Confira o tema principal dessa maravilha:

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