MB Literário: Minami Keizi – As origens do Mangá no Brasil

Venha descobrir o verdadeiro início do mangá no país. Apresentamos a biografia do pioneiro no estilo em terras brasileiras com Minami Keizi – As origens do mangá no Brasil.

Os mangás dominaram o Brasil, bem como outros países do mundo. Mas se perguntarmos aos leitores a quem devemos o início desta linha de publicação aqui, muito provavelmente as respostas serão:

a) Conrad ou JBC (pioneiras do formato original por aqui)

b) Panini (responsável pela popularidade, expansão e diversidade)

c) Abril ou Nova Sampa (com publicações lá do início dos anos 1990).

Minami Keizi – As origens do mangá no Brasil (Criativo, 2021) desafia a memória do povo brasileiro. Mescla de biografia e autobiografia, busca desvendar a verdadeira origem das tradicionais HQs japonesas em nosso país. E é algo muito mais antigo do que imagina.

É importante entender que o mangá, embora criado, desenvolvido e exportado aos milhares pelo Japão, é um estilo de histórias em quadrinhos. E, como tal, hoje não é feito apenas por lá.

E foi Minami Keizi (1945-2009) o primeiro a trabalhar o estilo por aqui com Álbum Encantado (1966). E não parou aí: Tupãzinho, o guri atômico (1966); O Samurai (1968); O Ídolo Juvenil (1968); Ninja, o Samurai Mágico (1968); e Estórias Adultas – Gibis moderno (1969).

E tudo feito aqui, influenciado por revistas como Shonen Club (dos primórdios do mangá moderno, publicada entre 1914 e 1962) e obras de Osamu Tezuka, como Astro Boy (1952).

Keizi foi o pontapé do estilo no Brasil, mas não foi o único. No livro, não faz questão alguma de tomar para si a exclusividade da técnica no período. Destaca o trio nissei Claudio Seto, Paulo Fukue e Fernando Ikoma, que liderou Estórias Adultas, da Editora Edrel de Minami.

O livro da Criativo, da coleção Libro Vitae – Biografia ilustrada, faz resgate importante, mas tem falhas de execução. Como não informa quando foi escrito, traz imprecisões quanto ao mercado editorial hoje. Os textos finais, por outros articulistas, têm informações novas, mas repetem outras, o que pode cansar.

O título da obra também não é dos mais felizes, porque, embora aborde as origens do mangá no Brasil, é muito mais do que isso. É uma homenagem a este quase esquecido autor e editor que, dentre outras (muitas) coisas, também foi responsável por publicar as primeiras HQs em estilo mangá no país.

– A edição da Criativo faz parte da coleção Libro Vitae – Biografia Ilustrada, que traz a história de personalidades do mundo dos quadrinhos. Já foram publicados Os Três Mundos de R. F. Lucchetti e Julio Shimamoto – O Samurai do Traço.

– Curiosamente, a Edrel começou a adaptar Yuka Wo Yobu Umi, de China Tetsuya (mesmo autor de Ashita no Joe), mas o projeto capitaneado por Fabiano Dias acabou sendo interrompido.

– Tupãzinho, criação de Keizi, é puro Astro Boy: um órfão adotado por um doutor extraterrestre, que destruiu seu planeta, e lhe ofereceu um soro, transformando-o no guri atômico.

Estórias Adultas (1969), da Edrel, foi publicada 132 páginas (quando era mais comuns revistas com 32 páginas e, no máximo, almanaques com 96). Formato tinha em mente os grossos mangás do Japão e com várias histórias com o traço nipônico.

– Autor: Minami Keizi e Franco de Rosa

Páginas: 124

Formato: 21 cm x 28 cm

Editora: Criativo

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