MB Movies: Dragon Princess (1976)

Dragon Princess (Hissatsu Onna Kenshi, 1976), é o décimo quinto filme da carreira da Etsuko Shihomi, uma habilidosa artista marcial treinada em Karatê, Kenjutsu, Shorinji Kempo (versão modificada do Shaolin Kung Fu) e ex-aluna da escola de dublês Japan Action Club, de Sonny Chiba. 

Em Dragon Princess, o mestre de Karatê Kazuma (interpretado por Sonny Chiba), é severamente espancado e fica aleijado pelo nefasto rival Nikaido, que deseja a qualquer custo o emprego de instrutor de Karatê – oferecido antes para Kazuma. Ele então passa treinar a sua única filha, chamada Yumi (Etsuko Shihomi), nas artes marciais para que um dia ela possa se vingar não apenas por ele como também pelo seu amigo que foi assassinado a mando de Nikaido. 

Dragon Princess, ou no original, Hissatsu Onna Kenshi, é um filme japonês de 1976 do gênero artes marciais e vingança estrelado pela bela e talentosa artista marcial Etsuko Shihomi, com participação especial do saudoso Sonny Chiba, que faz o papel do pai da personagem da senhorita Shihomi. 

A trama do filme, apesar de seguir a fórmula da época de filmes de vingança, nos entrega bons plot twist e uma magnífica e tocante atuação dramática entre a personagem da Etsuko Shihomi e do senhor Chiba em seu leito de morte, cena que acontece bem no comecinho do longa metragem e é bem provável que sua atuação nessa parte emocione ainda mais  os fãs do Sonny Chiba, que infelizmente nos deixou devido o maldito COVID-19. 

Apesar da participação do senhor Chiba ser curta no filme, ele tem espaço suficiente para entregar boas cenas, como por exemplo a inicial que é uma bela sequência de ação de golpes de Karatê. Além de momentos emocionantes, como a parte que ele está em seu leito de morte já citado anteriormente nessa review, temos também antes disso a tristeza estampada em seu rosto após ler o diário de sua filha, onde ela coloca pra fora o quão detesta o treinamento árduo que o seu pai lhe impôs desde a infância. Isso torna o filme ainda mais realista e sério, pois que criança gostaria de passar por sessões longas e pesadas de treinamentos diários, ao invés de simplesmente aproveitar a sua infância brincando com outras crianças? Ficaria estranho se a criança concordasse de cara sem reclamar nenhuma vez de tais treinamentos. 

Logicamente, após a personagem crescer, ela amadurece e passa entender melhor o pai, sendo o estopim final durante os últimos suspiros do mestre Kazuma (Sonny Chiba) que está acamado, pede desculpas à filha e diz que nunca foi a intenção dele em desgraçar a sua vida/roubar sua infância. O verdadeiro culpado é o invejoso e cruel Nikaido, que não desgraçou apenas a vida dele (Kazuma) e da filha (Yumi) como também a de seu amigo, assassinado por estar interferindo nos planos sórdidos do vilão do filme.

A respeito da estrela principal desse longa, a senhora Etsuko Shihomi, agora conhecida por seu nome de casada Etsuko Nagabuchi, muitos podem nunca ter ouvido falar nela devido a nenhum de seus filmes ou séries estarem disponíveis de forma oficial no Brasil – seja por home vídeo ou serviços de streaming. Porém, para os fãs de Tokusatsu, mais especificamente Kikaider 01 e Gekko Kamen, e claro, para os fãs do Sonny Chiba, já que ela aparece em diversos filmes que ele atuou, sendo um dos seus trabalhos mais famosos e favoritos desse que vos escreve, a quadrilogia “Sister Street Fighter”, de 1974. 

Em Dragon Princess, Etsuko está excelente e em perfeita forma no papel da lutadora de karatê que foi treinada por seu pai. Depois de Sister Street Fighter, considero este até o melhor trabalho da bela Etsuko Shihomi, especialmente por ser mais sério e não ter nenhum apelo sexual que nem seus filmes anteriores como: “13 Steps of Maki” e “The Great Chase”, já que nessas obras cinematográficas tais cenas +18 não acrescentavam em nada e o roteiro acabava ficando deixado um pouco de lado. Diferente de Dragon Princess, onde cada cena e linha de diálogo é importante e é impressionante como que o diretor, Yutaka Kohira, conseguiu trabalhar tão bem com tantas informações em 81 minutos!

O roteiro de Dragon Princess, que pra muitos pode acabar sendo um grande clichê, conta com boas surpresas em sua reta final assim se diferenciando de outros filmes de vingança da década de 70. Fora a ótima atuação, tanto na parte de drama como nas cenas de luta, pela magnífica Etsuko Shihomi, que está em plena forma física e é tão empolgante de ver o seu modo rápido e mais solto de lutar diferente das muitas atrizes chinesas dos anos 70.

Dragon Princess é um ótimo exemplo de que é possível fazer um filme de ação/vingança com pouca duração e mesmo assim ser bastante empolgante e emocionante, provando assim ser verdadeiro o famoso ditado: Muitas vezes menos é mais!

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