MB Review: Coin Laundry Lady

Tenho uma história com o anime de Another: ele foi o responsável por me trazer de volta ao mundo dos animes e mangás quando passei anos praticamente afastado.

Quando vi na capa de Coin Laundry Lady que se tratava de algo da mesma autoria do terror que tanto me encantou, logo me interessei e fiquei feliz com a oportunidade de lê-lo.

Mesmo que Another seja, na verdade, uma adaptação de Hiro Kiyohara da light novel de Yukito Ayatsuji, espera-se que o autor tenha alguma familiaridade com o gênero, mas no decorrer da leitura de Coin Laundry Lady, você já começa a se questionar se é mesmo algo feito pela mesma pessoa.

O mangá é vendido com a premissa de ser um “mistério que satiriza terror”, mas na prática é apenas um amontoado de histórias sem sentido. A não ser pelo nome do autor, é difícil imaginar como um título como este chegou a ser publicado por aqui. Mas, em defesa da JBC, a edição é realmente linda, desde a capa às páginas coloridas, um projeto gráfico de respeito. Já em defesa do autor, a arte é impecável, seria até uma experiência agradável se não viesse acompanhada do roteiro.

O mangá conta a história de Maoko, uma misteriosa garota que vive em uma lavanderia e se esconde dentro das máquinas de lavar enquanto aguarda clientes para lhes pregar peças.

O formato é de capítulos curtos com histórias absurdas envolvendo, além da misteriosa Maoko, uma cliente universitária da lavanderia chamada Haru Tanaka, e o também cliente, veterano e interesse amoroso de Haru, Yokoi. Alguns outros personagens também são apresentados ao longo da trama, mas sem muita relevância.

O argumento de diferenças entre o humor oriental e ocidental não se enquadra aqui, não em um mangá de humor de quase 200 páginas que não arranca um único sorriso. Para citar de exemplo, Jimoto Ga Japan (ou I Am From Japan, disponível no Manga Plus), que teve uma curta estadia na Shonen Jump, também trabalhava com humor regional e situações absurdas, mas se saía muito melhor na hora de fazer rir. Outro exemplo é Gokushufudou, que assim como Coin Laundry Lady, usa histórias curtas e humor nonsense, e acaba se saindo bem melhor quando você pega o espírito da trama. 

Em Coin Laundry Lady, a impressão que se tem é de que alguém muito talentoso na arte de desenhar estava simplesmente rabiscando coisas aleatórias para passar o tempo e, com isso, não é bem uma surpresa quando, ao final da obra, o próprio autor admite no posfácio que este mangá é basicamente isso. Ele diz que fez o primeiro capítulo antes de sua estréia como mangaká e posteriormente seguiu escrevendo-o em segredo enquanto testava novas coisas a cada história. Também relata que este é o motivo de algumas questões de continuidade não fazerem sentido.

Em determinado momento da trama, em uma das partes em que os personagens quebram a 4ª parede, o autor parece até brincar com a própria aleatoriedade quando uma das personagens diz: “Os leitores não estão entendendo nada! Você é uma personagem nova?”. Ao que a outra responde: “Para! Ninguém está nos acompanhando desde o começo!”. Esta é também a passagem mais próxima de ser engraçada.

Em suma, o mangá é uma escolha interessante se você gosta do autor e quer ter todas as suas obras na estante, se você quer um mangá bonito para enfeitá-la, ou se você é do tipo que prefere tirar as próprias conclusões, pagar para ver. Fora isso, infelizmente se trata de um título que não cumpre aquilo que se propõe a fazer.

Além de Another e Coin Laundry Lady, outras três obras de Hiro Kiyohara foram publicadas no Brasil pela JBC, sendo elas: Feridas, Só Você Pode Ouvir e Tsumitsuki – Espírito da Culpa.

Irei em breve atrás de algum outro de seus trabalhos para que, com sorte, consiga tirar essa má impressão que fiquei de uma obra totalmente autoral dele. Espero me surpreender.

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