MB Nacional: A Samurai

Algumas histórias parecem ganhar notoriedade, não apenas pelo seu desenrolar, sua arte e seus personagens, mas por representar uma ideia. A concepção de um projeto e os nomes por trás dele podem trazer diversas camadas para uma mesma narrativa, traçando diferentes tons e traços a uma história. Esse parece ser o caso de A Samurai.

Idealizado por Mylle Silva, A Samurai é uma HQ de encher os olhos, não apenas pela história instigante, mas por ser um projeto que conecta diversos artistas. Representando muito bem os bons desenhistas/quadrinistas que temos no Brasil.

A Samurai foi produzida pelo grupo Manjericão. Inicialmente foi financiada através do Catarse, mas posteriormente contou com distribuição da Tambor Editora. Formato 17cm x 25cm, com 112 páginas coloridas

 

Na história, acompanhamos Michiko em busca de sua família perdida. Ela foi abandonada por seu pai ainda bebê, deixando para trás uma carta e um nome, suas únicas pistas de sua família. Tendo em vista o ambiente em que foi abandonada, se torna gueixa, buscando sobreviver e obter influência, ainda que em paralelo trace treine para se tornar uma guerreira.

A história pega influência de várias outras com a figura da mulher guerreira como centro. Michiko tem de enfrentar os preconceitos e papéis estabelecidos socialmente, se escondendo sob a alcunha de um guerreiro homem. Vale destacar que essa representação de guerreiro é construída com base na realidade do Japão feudal, trazendo a mítica do samurai e de sua época.

Com o desenrolar da história, nos é apresentado um pouco mais da personagem e seu melhor amigo, Yamada, que funciona como uma espécie de freio para o ímpeto da personagem na sua busca incessante. As suas constantes batalhas finalmente acabam a aproximando do nome que havia na carta. Por fim, temos uma eletrizante batalha e o desenrolar de alguns plot twists. 

A divisão em capítulos e diferentes artistas é algo positivo por conta dos diferentes apelos que cada parte tem, mas também é acompanhada pela sensação de confusão. Demorei alguns capítulos para entender que não eram contos isolados. A identidade visual da HQ não necessariamente deveria ser a mesma, mas em alguns momentos não é possível identificar os personagens.

Por fim, A Samurai é uma HQ com proposta interessante, mesmo que possa soar batida. A protagonista e os seus dramas têm um forte poder de atração. Os plots citados anteriormente podem desagradar algumas pessoas. Ainda que busque trazer algo para se diferenciar dos seus precursores, acaba quebrando a imersão e deixando muitas pontas soltas. O que não é o bastante para diminuir o valor da obra, que atrai por sua experimentação e deixa um gostinho de que poderia ter mais páginas.

 

– A Samurai também é uma bela homenagem a Claudio Seto (1944 – 2008). Importante quadrinista do cenário nacional. É uma importante referência para Mylle Silva, referenciado no roteiro, nome da HQ (Seto publicou um quadrinho chamado O Samurai nos anos 70) e na criação de um personagem que recebeu o seu nome.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

– A Samurai conta com desenhos de oito artistas: Yoshi Itice, Vencys Lao, Guilherme Match, Mika Takahashi, Bianca Pinheiro, Herbert Berbert, Leonardo Maciel e Gustavo Borges.

 

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