MB Literário: Nerd, de Érico Borgo

Érico Borgo é um nome que dispensa apresentações para quem navegou pelas duas últimas décadas atrás de notícias e críticas sobre a cultura pop.

E é possivelmente aos que o conhecem a mais tempo, ainda que não intimamente, estranho vê-lo se abrir tanto, como nesta sua autobiografia: Nerd (Sextante, 2022). Tudo porque sempre aparentou ser alguém de personalidade forte e fechado.

No livro, somos levados em sua linha do tempo sem compromisso com a linearidade, alternando pontos onde o mundo de quadrinhos, filmes e tecnologia o marcou, em um texto que soa como uma conversa, ainda que seja um monólogo.

E é a alternância de momentos o ponto mais positivo, tornando prazeroso acompanhar não apenas a evolução de sua vida, mas do mundo, em partes. Fosse algo mais tradicional, poderia soar deveras enfadonho.

Um belo exemplo, e na minha opinião o melhor dos capítulos, é o que dedica a contar sua experiência com Star Wars. “Foi entre 1983 e 1984, aos 8 anos de idade, que vi uma das imagens que mudariam minha vida para sempre”. Tratava-se do cartaz de O Retorno de Jedi (Episódio XVI). Após isso, aventura-se pelas primeiras vídeo locadoras, dificuldades para fazer download do primeiro trailer de A Ameaça Fantasma (Episódio I) em tempos de internet discada até seu último painel na CCXP antes de deixar o Grupo Omelete, justamente com o elenco de A Ascensão Skywalker (Episódio IX).

Acho estranho ver autobiografias de pessoas que ainda tem muito pela frente (passo longe dessas de influenciadores que, felizmente, já saíram de moda), mas preciso dizer que esta – também por acompanhar a cultura pop há quase tanto tempo que ele – me desceu muito bem. Ao ponto de ter sido uma leitura rápida para um livro de pouco mais de 400 páginas.

Nerd é ótimo para apreciar e viajar, seja a Arujá ou a Coruscant. Leia sem moderação. 

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