MB Review: Kamen Rider

O universo da cultura pop japonesa tem verdadeiros “Deuses”. Para entender a importância de uma obra recém lançada no Brasil é preciso antes entender o significado desses autores serem chamados de Deuses. É neste contexto que começaremos a falar de uma das obras recém lançadas pela editora Newpop: Kamen Rider.

Falar que Shotaro Ishinomori é o Pai do Kamen Rider é algo que todos sabemos, mas o que poucos sabem é que ele a princípio queria ser um autor de romances japonês. Foi a convivência com o chamado “Deus dos Mangás”, Ozamu Tezuka, que o fez ver que poderia traçar um caminho mais interessante. Ishinomori foi um dos assistentes de Tezuka e sua admiração pelo mestre fez ele evoluir e contribuir ainda mais para a popularização dos quadrinhos japoneses. Seu apreço por cinema ocidental e obras de ficção científica são responsáveis por seu estilo e podemos traçar que, no Japão, estava ocorrendo o mesmo movimento que Stan Lee, Steve Ditko e outros estavam fazendo na mesma época com a Marvel. Por essa razão podemos considerar algumas semelhanças entre as obras da Marvel com as obras de Ishinomori, mesmo tendo artes e resultados diferentes, mas as suas inspirações foram bem próximas.

Shotaro Ishinomori é conhecido por ser o “Rei dos Mangás” por sua capacidade insana de produzir conteúdo e com uma qualidade de narrativa e principalmente de ação desenfreada que serve de inspiração até hoje para quadrinistas e apreciadores de quadrinhos pelo mundo inteiro. E seguindo na linha de ação, surgiu talvez o seu personagem mais importante, que virou uma franquia de sucesso até hoje. Kamen Rider. O tokusatsu mais famoso veio de uma adaptação de mangá e é dele que iremos falar!

Poucos sabem mas Kamen Rider Ichigo, como ele é chamado, tem dois protagonistas. Neste primeiro volume, que engloba os 3 primeiros capítulos, o protagonista é Takeshi Hongo, um motociclista que é raptado pela Shocker, uma organização de remanecentes do regime Nazista. Takeshi não consegue completar a transformação para um super soldado, pois um doutor conhecido dele (também raptado pela Shocker) o salva. Lembrando muito a origem de um personagem famoso da já citada Marvel.

Hongo adquire um corpo modificado com super resistência e superforça e mantém sua consciência intacta, fazendo que ele lute contra essa organização maléfica que quer dominar o mundo. 

Ele enfrenta três soldados da Shocker neste primeiro volume. O clássico Homem Aranha do primeiro episódio do Tokusatsu, um Homem Morcego e começa uma luta contra um Homem Cobra. As histórias de fundo, mesmo sendo simples, são atemporais, como por exemplo a questão do Meio Ambiente, já sendo tratada a 50 anos atrás. Outro detalhe a colocar, é a ideia e o desenvolvimento da história. São simples, e os diálogos são realmente curtos, você lê o mangá em menos de 2 horas. Mas ele vale cada centavo gasto só pela obra de arte que Ishinomori faz neste mangá. 

Todas as cenas de velocidade/ação são simplesmente de tirar o fôlego. A sensação ao passar de cada página ao ler cada quadro é de como você ver o episódio do Tokusatsu, com mais riqueza, mais detalhes. A ideia de você ver o protagonista usando sua moto em cada quadro com a sensação de movimentação é impressionante, algo que só Shotaro Ishinomori era capaz de passar. A páginas duplas com um clímax de uma luta é outro ponto muito forte. O autor abusa desse recurso deixando o mangá mais fluido e interessante.

O traço é Ishinomori “na veia”. Monstros e caracteres designers, assim como os personagens, são muito bem feitos com belos detalhes. Há o abuso de cores escuras, já que Kamen Rider tem o preto como cor predominante, o que pode desagradar algumas pessoas.

A edição da editora Newpop é bem feita, com orelhas nas capas e capa caprichada, valendo o seu preço por ser o formato 2×1 por R$49,90.

Kamen Rider é um clássico de um dos “Deuses dos Mangás” de uma franquia maravilhosa e bem sucedida. É uma leitura rápida cheia de ação e com muitas lutas. Um prato cheio para quem gosta deste gênero. Espero que o volume dois mantenha a mesma pegada deste primeiro. Agradecemos a loja Anime Hunter pelo exemplar. Adquira o seu em www.animehunter.com.br.

2 thoughts on “MB Review: Kamen Rider

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.